Inadimplência financeira
-Os protestos de pessoas físicas ou empresas não são o único parâmetro para se aferir a ‘‘saúde’’ da economia dos brasileiros. Mas são um indicador representativo. Medidos pela Serasa (uma espécie de Seproc dos bancos), eles mostram um quadro de inadimplência financeira é menos grave do que no ano passado. Os dados foram divulgados ontem (AE): os número de protestos de títulos e o de falências e concordatas requeridas caiu no primeiro semestre deste ano, em comparação com igual período do ano passado, segundo informou ontem a Centralização de Serviços dos Bancos SA, a Serasa. No período pesquisado, o número de protestos caiu 6,1%; o de falências requeridas, 0,3% e o de concordatas requeridas, 26,4%.
-Há técnicos que garantem que, a exemplo da inadimplência no pequeno comércio, o recuo nos pedidos de inadimplência financeira também refletem a recessão da economia. Assim, como os pedidos de consulta (sobre cheques e clientes) caem em tempo de recessão, os títulos protestados de pessoas físicas, num determinado período, podem refletir um momento de poucos negócios. Os dados do segundo semestre - porque fogem da recessão natural dos três primeiros meses do ano - sempre são mais representativos, exceção apenas para o número de pedidos de concordatas.
-O fato é que a opção pela política recessiva para manter a estabilidade da moeda (controle da inflação pelo estômago), acaba por mascarar todos os números. E se a falta de crescimento econômico reflete nos protestos de pessoa física, o mesmo não se pode dizer com relação às empresas.
-A queda dos protestos foi puxada pela redução de 8,2% nos dos títulos da pessoa física, enquanto a queda nos da pessoa jurídica foi de 5,1%. Foram protestados 4,2 milhões de títulos nos primeiros sete meses deste ano, depois de 4,5 milhões registrados nos primeiros sete meses de 98.
- Inverso O poder de barganha do setor primário sofre nova depreciação. Os preços recebidos pelos produtores rurais fecharam o mês de julho em queda de 1,84% e apresentaram uma perda de 2,17 pontos percentuais em relação ao mês de junho. O autor do levantamento, Nelson Batista Martin, do Instituto de Economia Agrícola (IEA), disse que o índice de preços recebidos (IPR) pelos agricultores ‘‘caiu em função do comportamento dos preços agrícolas no mercado internacional e de uma fraca demanda interna.
-Segundo Martin à Agência Estado, nos primeiros sete meses deste ano os preços agrícolas apresentaram um crescimento acumulado de 3,36%, enquanto o IGP-M cresceu 9,96%, indicando uma perda de 6,60 pontos percentuais para a agricultura no período. Nos últimos 12 meses (julho/98 a julho/99) os preços recebidos pelos produtores (IPR) cresceram 5,37%, enquanto que o IGP-M cresceu 9,92%, indicando um diferencial negativo para os produtos agrícolas de 4,55 pontos percentuais.



Defeito de origem
Toda confusão em torno da salvaguarda de produtos primários argentinos, deve ser debitada aos articulares (brasileiros e argentinos) que alinhavaram o tratado Mercosul. Arquivos de jornais de oito anos atrás mostram os alertas feitos por lideranças da agricultura. Em vão.
Novo foco
Novo foco da crise está sendo desenhado no Rio Grande do Sul. Com os preços do arroz empurrados para baixo devido à importação da Argentina, os arrozeiros poderão barrar a entrada no País de caminhões com arroz da Argentina.
A bronca
Do jeito que está, não pode ficar. Precisamos impor um sistema de cotas ou algo parecido - reivindicou o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz). O Mercosul é um péssimo negócio para eles.
E não sabiam?
Sabiam. Sabiam e alertaram, como fizeram paranaenses e paulistas. Mas os negociadores da época (havia mais burocratas do governo do que representantes dos agricultores) não deram muito importância à ‘‘choradeira’’.
Impacto
Com a maior produção de sua história - 5,3 milhões de toneladas -, o Rio Grande do Sul negociava seu arroz por R$ 17,00/fardo de 50 kg no final do mês passado e, hoje, tem de vendê-la por R$ 13,30. Dados do Irga.

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