-Pelo menos duas informações, divulgadas ontem, mostram que a atual conjuntura dispensa a preocupação com o aumento de consumo. O País, para exigenar sua economia e prosperar, precisa, na verdade, de aumentar a renda per capita - o crescimento da massa salarial é uma forma - e potencializar o poder de compra. Não precisa, portanto, inibir o consumo, como se cogitou, dias atrás, no governo.
-Primeira prova: a proporção de cheques sem fundos registrada pela Câmara de Compensação do Banco do Brasil bateu recorde no início deste ano (dados divulgados ontem pela Serasa, Centralização de Serviços Bancários).
Quem não tem provisão de fundos para pagar cheques, certamente não está na lista dos consumidores por impulso.
-Segunda prova: o Índice de Preços no Varejo (IPV) caiu 0,12% na terceira semana do mês e registrou aumento de 1,21% na quadrissemana (0,14 ponto percentual abaixo do anterior). Os dados foram divulgados pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecesp). A estimativa da entidade é de que o IPV feche o mês entre 1,3% e 1,4%.
-A redução nos preços dos eletrodomésticos (-2,66%) somado à dos alimentos (-1,57%), foram os principais responsáveis pela recuo do IPV. Dentre os componentes do IPV, o grupo de bens duráveis foi o que sofreu maior queda (-1,12%) na semana. Os aparelhos de som, por exemplo, registraram queda nos preços de 9,64% e os videocassetes 2,31% no período.
-Já os números da inadimplência nos bancos impressionam: o BB processou 684,7 milhões de cheques nos primeiros três meses do ano, dos quais 0,60% foram devolvidos por falta de fundos. É o maior percentual desde 1987, considerando a média anual de todos esses anos. A menor média foi em 1993, com 0,11%, e a maior, a do ano passado, com 0,40%.
-No primeiro trimestre de 96, segundo a Serasa, quando os cheques totalizaram 758,1 milhões, os devolvidos por insuficiência de fundos foram 0,41%. Desde o início do Plano Real, em julho de 1994, o maior percentual de cheques sem fundos, em um só mês, foi verificado em junho de 1995, com 0,51%. O estudo da Serasa divulgado hoje mostra que o número de cheques compensados pela câmara do BB diminuiu 9,7% no primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 96. Já os cheques sem fundos passaram de 4,1 para 6,0 por lote de mil.
-A proporção de cheques sem fundos aumentou, na avaliação da Serasa, devido à maior aceitação de cheques pré-datados, sem os devidos cuidados, especialmente nas compras do final do ano. Muitos comerciantes sem prática de crédito passaram a aceitar os pré-datados para fazer frente à concorrência e enfrentam a maior inadimplência, dizem os técnicos da Serasa. Empresas mais organizadas, que contam com informações seguras e instrumentos adequados, correm menos risco. (Agências Estado e Folha).Flores

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