Repensar o Estado
-Instituições públicas estão convivendo com escassez de recursos há algum tempo. Primeiro, vieram as crises nas universidades e institutos de pesquisas estaduais e federais. Esta semana cogitou-se até na hipótese de redução de salários no órgão de extensão (Emater). Com maior ou menor intensidade, o setor público - federal, estadual e municipal - se despoja da condição de provedor. O que se discute não é se isto afeta ou não a qualidade dos serviços que prestam (invariavelmente a resposta é positiva). O que se discute é a sobrevivência dessas instituições, mais do que nunca ameaçadas, ainda que historicamente tenham desempenhado um papel meritório.
-Exaurida, a instituição ‘Estado’ vem avisando ‘‘virem-se’’, que o erário não pode continuar arcando com tudo. As instituições e as pessoas podem não fazer esta leitura da realidade, mas o recado do Estado, nos últimos anos, tem sido este.
-O mestre em administração pública pela FGV/RJ, Antônio Carlos Rodrigues da Silva, coloca a situação de forma mais ampla: ‘‘Esgotado o modelo do Estado protetor da sociedade, o que emerge é o (novo) paradigma da sociedade tomando conta de si mesma’’. Este conceito - explica - rebate nas organizações públicas e exige delas novas posturas e, principalmente, que elas redefinam o seu papel e perguntem ‘‘quem é o cliente’’. Antônio Carlos observa que esse ‘‘Estado protetor’’, que se exaure, não banca mais as instituições nos moldes convencionais.
-O acesso da sociedade à informação, hoje, está cada vez mais rápido. Um ponto que Antônio Carlos considera interessante: a sociedade está atenta às instituições que conseguem fazer isto com mais agilidade. O que se observa é que o setor privado é mais rápido, embora menos transparente. Já o setor público, embora transparente, é lento.
-Antônio Carlos - que também é coordenador do programa estadual Universidade do Campo e coordenador do curso de pós-graduação em Administração Pública da Faculdade de Apucarana e ex-presidente do Sindicato dos Engenheiros Agrônomos -, coloca em discussão a postura das instituições diante do problema. ‘‘A grande dificuldade do setor público, hoje, é que ele não consegue internalizar essas discussões e extrair delas as mudanças necessárias’’. Outro ponto: ‘‘Um grande desafio ao Estado é a capacitação de gestores na administração pública que tenham ferramentas para compreender as rápidas mudanças que estão ocorrendo nas relações Estado-sociedade’’.
-Os novos modelos de organização que surgem são influenciados: a) pela globalização, b) pelo avanço da tecnologia da informação e c) pela emergência da sociedade civil organizada. Esta sociedade civil organizada começa a ser legitimada através do que está se chamando de terceiro setor. Endereço da Universidade do Campo: www.pr.gov.br/ucampo



Leitor/bitola
Sábado é dia do leitor, por telefone, carta ou e-mail. Newton R. Castro, de Guaíra: ‘‘Parabéns pelo artigo ‘‘Bitola estreita’’. E o desejo que Deus faça o Estado ‘‘desenterrar’’ os projetos de ampliação da rede na região. Queria saber mais a respeito.
Leitor bitola
Do empresário rural e do comércio Antônio C.S. Almeida, de Jacarezinho: ‘‘Gostaria de saber mais sobre projeto entre Jaguariaíva - Raul de Mesquita e Santa Quitéria. A informação é falha também quanto data e traçado’’.
Leitor/bitola
Do engenheiro Paulo Sidnei Ferraz, chefe do Escritório Regional da Rede Ferroviária Federal-RFFSA (e não ex-superintendente, como foi divulgado): Parabéns pelo artigo de ontem ‘‘Bitola estreita’’.
Ferrovia/Renaut
‘‘É importante que o Estado garanta reserva de área para o projeto de desvio que atenda a infra-estrutura prometida para a fábrica Renault e para a ampliação do Aeroporto Afonso Pena, também previsto em projeto’’.
Leitor/greve
Marco A. L. Kunz, de F. Beltrão: ‘‘Em vez de execrar os caminhoneiros, sugiro que se indenize as granjas avícolas/suinícolas, prejudicadas com a greve que os ministros tinham conhecimento e trataram com indiferença e desprezo até dar no que deu’’.

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