Oswaldo Petrin
Sem consumo, sem inflação
Esta coluna deveria abordar hoje os projetos de recuperação da malha ferroviária. Depois de pronto, o texto sumiu misteriosamente do arquivo. Não creio em praga de caminhoneiro por e-mail, até porque ferrovia e rodovia não são excludentes, neste momento. Brincadeira à parte, há informações animadoras em favor da recuperação do transporte mais eficaz do mundo, o ferroviário, que o Brasil - de bitola estreita - abandonou.
Tem economista admitindo que o encarecimento de alguns itens, em consequência da greve dos caminhoneiros, pode transparecer na inflação do mês. Por falar em inflação, adivinhe quem puxou (para cima) as últimas variações de preços medidas pelo Fipe e divulgada ontem por todas as agências de notícias? As tarifas públicas, é claro.
O coordenador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (Fipe), Heron do Carmo, disse ontem que o índice de 0,90% na terceira quadrissemana de julho ficou dentro do previsto.
De acordo com Heron, este índice é resultado dos reajustes de tarifas e dos
preços dos combustíveis e que, se não fosse a ocorrência desses aumentos,
o índice apresentaria deflação. Para o segundo semestre, ele projetou uma
inflação em torno de 3%. Essas afirmações foram feitas em entrevista ao
programa Bom Dia Brasil, da Globo.
A previsão do mercado de 0,5% ao mês até o fim do ano é bastante razoável.
A minha projeção é de uma inflação até um pouco inferior. Nós esperamos
uma inflação, no segundo semestre, um pouco superior a 3%, de modo que,
no fim do ano, nós teremos algo em torno de 6% de inflação - detalhou.
Para o coordenador, a meta de inflação de 6% para o próximo ano é frouxa.
- A concentração do aumento das tarifas pelo Governo faz com que a situação
fique com mais folga para o próximo ano. O ponto controverso é a meta de
inflação para o próximo ano, não para este ano. Neste ano nós tivemos o
câmbio e tivemos esse reajuste de tarifas. A meta de inflação para o ano
que vem, de 6%, parece um pouco frouxa demais se considerarmos a trajetória
da inflação - opinou.
Enfim, a terceira quadrissemana de julho, o que mais contribuiu para a alta do IPC foram os reajustes dos preços dos combustíveis e dos serviços públicos.
Segundo Heron, a variação de preços da gasolina, do álcool, do gás de
botijão, da energia elétrica e dos serviços de água e esgotos no período
teve impacto de 0,96 ponto percentual de alta na inflação em São Paulo.
O item transporte registrou alta de 4,85%, enquanto alimentação teve variação
de - 0,63%.
Mas ninguém deve se entusiasmar com a estabilidade dos preços. O governo FHC está contendo a inflação pelo estômago. Sem poder de compra não há consumo e sem consumo preços não sobem.
Frágil demais
As empresas adotaram uma política de não manter estoques para reduzir custos. Isso passou a ocorrer também com as ligadas ao agrobusiness. É o chamado esquema da mão para a boca - estoques suficientes apenas para poucos dias.
Matéria-prima
Agora quase todos os setores estão sendo pegos sem estoques de matérias-primas, como milho e derivados de soja. A greve de caminhoneiros começa a preocupar seriamente todo o agronegócio.
Veia entupida
Os agricultores não conseguem vender. Indústrias, granjas e frigoríficos se preocupam porque não conseguem receber a matéria-prima para manter na ativa suas atividades. Um dos setores mais afetados é o da avicultura.
Desperdício
A Associação Paulista de Avicultura diz que não há critérios no bloqueio de estradas e as perdas de produtos perecíveis é grande. Pintos de um dia e aves adultas estão morrendo e há perda de ovos. (Vaivém das commodities).
Prejuízo
As granjas têm de alimentação dos animais, o que causa perda de produtividade e altera a escalas de abate. Só o Estado de São Paulo comercializa 1 milhão de frangos/dia e 16,2 milhões de ovos, ao valor de aproximado de R$ 2,7 milhões.





