Crise Brasil x Argentina
O empresário Paulo Muniz, presidente da Avipar (que representa produtores e industriais do setor avícola do Paraná), acha que o Brasil tende a sair ganhando nesta queda-de-braço com a Argentina e que nosso principal parceiro no Mercosul vai ceder. Na história recente das relações comerciais entre os dois países a balança comercial pende para a Argentina e ela sabe disso. A Argentina está para o Brasil como o México está para os Estados Unidos.
Paulo Muniz falou a este jornal ontem à noite diretamente da sua indústria, a Interamericana, que fica em San Martin, Buenos Aires. Ele acha que o Brasil tem negociado com a Argentina numa condição de inferioridade e dá vários exemplos. Ultimamente, a Argentina tem procurado impor sanções comerciais sobre vários produtos, como calçados, têxteis e estava na mira do frango, já que o Brasil é muito competitivo neste item. Mas aí surgiram outros mercados e o Brasil reduziu suas exportações para a Argentina. Isto esfriou um pouco a disposição argentina de dificultar o frango brasileiro. ‘‘Mesmo assim eles acusam o setor de frangos de dumping, o que não é verdade’’, disse.
Quando fala em inferioridade brasileira, Muniz se refere a várias condições unilaterais de negociação, incompatíveis com as regras de um mercado comum. Pelo Mercosul, os dois países têm de aceitar as inspeções sanitárias. O Brasil aceita a inspeção sanitária da Argentina, porém a Argentina não considera a inspeção do nosso Dipoa e faz sua própria inspeção aos produtos brasileiros. Como na Argentina este serviço é privatizado, os laboratórios cobram em média R$ 800,00 por carga. Em geral, a inspeção argentina onera os produtos brasileiros em até 5%.
Isto, segundo Muniz, não é compatível com as normas que regem um mercado comum. Ou somos um livre mercado ou simplesmente não há livre mercado. Como exportador, Muniz concorda com a posição do Brasil, que é positiva para o País como um todo e não apenas para a exportação. ‘‘Temos que ter atitudes firmes.’
O empresário paranaense que também é diretor da União Brasileira de Avicultura, elogiou a postura do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Clóvis Carvalho, a quem creditou esta nova postura - ‘‘firme e coerente com os interesses nacionais’’ - diante das negociações com a Argentina.
Ele acha que a crise atual decorre de uma série de vícios ao longo dos anos em que o Brasil adotou uma postura amadora nas negociações. Sugeriu que o governo, ao negociar com qualquer parceiro comercial, se faça acompanhar dos empresários. O governo é quem decide - segundo Muniz - mas tem que se assessorar de quem está no ramo.



Dumping/lácteos
O presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Paulo Bernardes, afirmou ontem que os produtores argentinos estão exportando para o Brasil leite em pó a preços abaixo do custo - o que caracteriza dumping.

Dumping 2
Bernardes disse que há ‘‘sinalizações positivas’’ do Departamento de Comércio Exterior (Decom), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, de que poderá ser aberta até o fim do mês uma investigação sobre dumping.

Pé no freio
A manifestação dos caminhoneiros afeta a distribuição de alimentos. Muitos negócios, que já estavam acertados, estão sendo desfeitos. Os compradores temem ficar com a mercadoria parada, segundo a consultoria Brandalizze, de Curitiba.

Prejuízos
O movimento colocou em alerta os segmentos. Os embarques de boi foram suspensos, diz a Scot Consultoria; as granjas podem ter dificuldades de abastecimento, diz a APA, e os negócios de grãos e derivados foram travados, diz a Brandalizze.

Milho/atacado
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou ontem em R$ 9,46/saca (-0,42%). Em dólar, a cotação ficou estável em US$ 5,22/saca. O valor a prazo ficou em R$ 9,70/saca (-02%). Veja preço ao produtor nesta página.

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