Globalização em xeque
-Em outras ocasiões foi o presidente do Grupo Votorantin, Antônio Ermírio de Moraes, mas ontem foi a vez do presidente do Conselho Administrativo do Bradesco, Lázaro de Mello Brandão, defender a colocação da agricultura como ‘‘agente exportador do País’’. A agricultura tem sempre condições de responder rapidamente; o ministro Pratini de Moraes tem o meu apoio neste programa de trazer a agricultura para o setor exportador nacional, disse Brandão, num rasgo de ‘‘inteligente boa-vontade’’, segundo uma fonte da CNA.
-Ele entende que a agricultura, o agribusiness nacional deve ser considerado como uma das principais possibilidades de desenvolvimento do País. O caminho para isto está nas exportações; hoje, a situação da agricultura é melhor; e pode permitir que o País gere mais divisas.
-A verdade é que o ministro Pratini de Moraes adoçou a boca de muita gente do setor agroindustrial, principalmente as cooperativas que vêem no aumento da exportação a chance de fomentar a produção e melhorar o setor primário. Pena que a vontade de exportar por parte do governo venha num momento difícil.
-Não porque o governo tenha decidido, ontem, suspender as negociações com o Mercosul, em resposta (represália?) às salvaguardas impostas pela Argentina, que começaram no setor têxtil semana passada. Não apenas. Mas porque o mercado internacional ‘‘está uma pedreira’’, como disse, semanas antes da posse o próprio Pratini de Moraes, durante jantar de empresários.
-(O governo brasileiro decidiu retirar-se de todas as negociações no âmbito do Mercosul, até segunda ordem, em resposta à pendência criada pelo governo argentino - que editou ontem uma resolução pela qual poderá adotar medidas de salvaguarda contra produtos importados. O Brasil também pedirá uma reunião extraordinária do Grupo do Mercado Comum do Mercosul, a realizar-se na próxima semana, para apresentar uma reclamação formal contra a Argentina).
-Aliás, ontem o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulgou que o saldo comercial agrícola norte-americano acumulado neste ano fiscal - de outubro a maio - caiu para US$ 8,3 bilhões, 38% menos do que o registrado no mesmo período de 98.
-Essa queda dos negócios mundiais acaba afetando o Brasil. O Usda informa que as importações norte-americanas de produtos agrícolas brasileiros foi reduzida para US$ 1,22 bilhão no ano passado, contra US$ 1,47 bilhão em 97, ou 17% menos. (vaivém das commodities). A Ásia é uma das principais causas da queda das exportações agrícolas dos norte-americanos. Essa queda vem ocorrendo desde 96, devido à valorização do dólar e à crise econômica vivida pelos países da região nos últimos dois anos. Os EUA estão perdendo fatia do mercado internacional de algumas commodities importantes. No caso da soja, sofrem a concorrência do Brasil e da Argentina. Já as exportações de trigo têm a concorrência da Austrália, Canadá e Argentina.

Caminhoneiros
O Sindicato da Indústria da Carne (Sindicarnes) mostrou ontem a preocupação do setor com a grave dos caminhoneiros. No Oeste e Sudoeste havia ameaça sobre cargas perecíveis no setor de carnes.
Caminhoneiros 2
Frigoríficos Sudcoop e Sadia suspenderam total e parcialmente os abates. No caso das cooperativas abate diário é de 1,3 mil suínos. Custo de produção aumenta quando animal passa da idade de abate.
Álcool
A partir do ano 2000 os combustíveis consumidos na França deverão ter 5% de ‘‘combustíveis renováveis’’. E a Comissão de Energia da UE estabeleceu que igual porcentagem será estendida aos países membros até o ano 2000 (opcional) e a partir de 2005 (obrigatório).
Etanol
A medida significa um mercado anual de 70 milhões de hectolitros de etanol, o que exige o cultivo de 1,8 milhão de ha. para a produção de etanol com base na biomassa de trigo ou de beterraba.
Seminário
A informação está no projeto ‘‘Promoção de Programas de Álcool Carburante’’, que será apresentado amanhã, 28, em seminário internacional sobre potencialidades do mercado para álcool combustível, na rua Engenheiro Pitta Brito, 125, Santo Amaro (Gazeta Mercantil).

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