Oswaldo Petrin
Fugindo do freguês
-Trinta anos atrás, quando os leilões de gado eram comuns no Rio Grande do Sul, o Paraná ainda relutava em adotar esta forma de comercialização, tradicional na Argentina e Uruguai. Um grupo de criadores detinha um patrimônio genético que não era aberto para toda a pecuária. As coisas mudaram e os leilões, hoje, são uma forma transparente de comercializar. Têm lá suas manipulações mas, na essência, teoricamente, são uma forma digamos democrática.
-Mas, para emplacar, o leilão teve que romper resistências. Pois é, o setor de venda de insumos agrícolas, tal como os pecuaristas de trinta anos atrás, reluta em aceitar uma forma moderna de comercialização, sem entender que o ganho tem que ser em escala e não dá mais para esconder preços. Pena que as cooperativas também pensem assim, mesmo quando a transparência beneficia o associado.
-Dias atrás, o Sindicato Rural de Londrina resolveu criar uma forma de aproximar as revendas e agricultores, seus clientes, envolvendo cerca de 50 municípios. A idéia era criar um ambiente em que numa única oportunidade, produtores comprariam grande quantidade de insumos para a próxima safra. A compra em grupo tinha uma finalidade clara: reduzir os preços para os produtores. As revendas, da mesma forma, ganhariam no volume negociado.
-O segmento das revendas não entendeu o espírito da coisa e simplesmente deixou de comparecer, abortando uma idéia que tinha tudo para ser boa para todos, compradores e vendedores. Não vai muito tempo para o setor amargar o arrependimento, a julgar pelo ritmo do mercado, muito fraco.
-É claro que as revendas têm lá suas razões e elas virão a público. Mas, deixar de participar de qualquer evento que se propõe a criar oportunidades de negócios, é, a princípio, fugir do comprador. É como feirante que não gosta de levantar cedo. É o comerciante que passa repelente no balcão. O isqueiro que nega fogo.
-Pena que a negativa tenha ocorrido no pior momento para o mercado de insumos. As vendas de produtos fitossanitários para controle de pragas e doenças na agricultura (US$ 520,267 milhões no primeiro semestre) foram 24,7% abaixo do faturamento em igual período do ano passado (US$ 690,483 milhões). Os dados foram divulgados ontem pela Andef. As vendas em junho ficaram em US$ 135,059 milhões, em queda de 22,1% em comparação ao faturamento de US$ 173,291 milhões observado em junho/98.
-O atraso das compras por parte dos agricultores, que aguardam uma definição de preços para as commodities, reflete a queda nas vendas no primeiro semestre deste ano. A maior queda nas vendas ocorreu no caso dos herbicidas, cujo faturamento no primeiro semestre deste ano atingiu US$ 180,8 milhões, valor 40,2% abaixo do registrado em igual período do ano passado, quando a receita ficou em US$ 302,3 milhões.
Leitor/contábilidade
Éder N. Sales, de Guapirama, sobre a necessidade de profissionais da Informação Contábil no meio rural - contabilidade no agribusiness. análises e previsões são necessárias para a boa administração da empresa agrícola.
Leitor/dívida
Michel F. Júnior, procurador do INSS, sobre pagamento de dívidas ao governo com apólices da dívida pública emitidas no início do século. As apólices estão prescritas e, por esta razão, não valem nada perante o INSS.
Leitor/juros
Emerson A. Estavam, advogado de Mamborê, informando que os bancos não podem cobrar juros sobre juros na securitização da dívida agrícola. Capitalização não é mensal: só pode ocorrer a cada seis meses (decreto-lei 167/67).
Leitor/revisão
Emerson se baseia em despacho da juíza Elisiane Minasse, de Maborê, em favor do agricultor Adalton A. Guinzani, em ação de revisão contratual ajuizada naquela comarca. A decisão da juíza é um atídoto contra abusos dos bancos, diz.
Leitor/corrige
Victor H. Bortolon, Cruzeiro do Oeste - corrige dados sobre produção de milho, de 12.780 kg/ha e a coluna faz uma comparação que a mesma área colhida é de 213 sacas/alqueire, quando o correto seria 12.780 kg/ha igual à 515,46 sacas/alqueire.





