Fusões. Dramáticas e gerais
-O coordenador de Autogestão da Ocepar, Juacir João Wischneski, comentando o programa de revitalização das cooperativas, previu ontem que vários projetos de fusão deverão ser desencadeados daqui para frente para que as cooperativas possam conseguir ganho de escala.
-Em São Paulo, ontem, o economista José Pastore, na carona dos comentários sobre a instalação da Ford na Bahia, previu a configuração, sem volta, de duas vertentes: 1) Mais fábricas tendem a deixar grandes centros (São Paulo) para se instalar no ‘‘interior do Brasil’’. Aliás, ele usa o termo ‘‘desativadas’’. 2) Em busca de redução de custos as fusões entre empresas vão crescer e, em ramos mais competitivos, serão inadiáveis.
-O especialista em economia do trabalho diz que o que está acontecendo no Brasil é uma miniglobalização’’, comparando o caso brasileiro com o que vem ocorrendo no mundo. Ao detectar uma vantagem competitiva em um local (salários mais baixos e/ou concessão de incentivos), uma multinacional encerra suas atividades num país e muda-se para outro. Em 1998, a Alemanha perdeu US$ 80 bilhões de investimentos (já instalados) para outros países. O salário industrial médio alemão é de US$ 28/hora contra, por exemplo, o de US$ 8/hora na Coréia e o de US$ 6,5/hora, no Brasil. (Entrevista à Agência Estado).

-‘‘A globalização é dramática, pelo lado humano, porque o capital é cada vez mais móvel, enquanto a mão-de-obra não 钒, disse o professor. Além das vantagens com redução do custo da mão-de-obra, as empresas buscam países que concedam incentivos e subsídios diretos e indiretos. Assim, por exemplo, leis menos rigorosas de proteção ao meio ambiente são um grande atrativo indireto que países em desenvolvimento, como o Brasil, oferecem às empresas.
Fusão adiada O projeto ‘‘Aliança’’, que previa a fusão das cooperativas Coopramil (de Cambará) e Valcoop (de Londrina) foi adiado. Elas estavam reivindicando recursos junto ao Recoop para o projeto de fusão, mas as duas cooperativas foram beneficiadas com a aprovação individual das cartas-consultas enviadas. A Coopramil será beneficiada com recursos da ordem de R$ 12,94 milhões, informou ontem o presidente da Coopramil, Paulo Leal, em entrevista à repórter Vânia Casado, deste jornal.
-No caso da Coopramil e da Valcoop, elas optaram inicialmente por fazer o saneamento individual de cada uma e só depois voltar a negociar a fusão. Com a fusão, elas querem ganhar escala para comercializar a produção.
-Segundo Leal, os recursos serão aplicados no saneamento da cooperativa junto à instituições financeiras, fornecedores e débitos fiscais e tributários. Também vai assumir as dívidas dos cooperados, para agilizar a capitalização da cooperativa. Com isso, o cooperado ganha um prazo para pagar a dívida que varia de 10 a 15 anos.



Milho/quebra
A Argentina reduziu para 13,5 milhões de toneladas a previsão da safra de milho para 98/99 estimada inicialmente em 19,4 milhões de t. Segundo agentes do mercado, o Brasil deve importar 2 milhões de t de milho da Argentina.
Pagando menos
A dúvida é o preço do milho argentino posto indústria brasileira. Para Anderson G. Gomes, da FNP Agrícola, esses preços podem ser menores: se houver a desvalorização da moeda argentina, cai o custo das importações brasileiras.
Agronegócio
O ministro Pratini de Moraes está estimulando os Estados a debaterem o agronegócio para levantar sugestões para o grande evento internacional - Rodada do Milênio - de 30 de novembro a 3 de dezembro em Seattle EUA.
Rodada Milênio
São Paulo já está debatendo: dia 3/8 será realizado seminário ‘‘Negociações Agrícolas na Virada do Milênio’’. Objetivo é levantar temas e fechar posições sobre o acordo agrícola no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Na dianteira
A agricultura brasileira, com Pratini de Moraes, quer sair na dianteira de um movimento visando reduzir subsídios e barreiras alfandegárias impostas pelos EUA e UE. Pratini elegeu este tema desde a sua indicação. Empreitada difícil.

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