-Os agricultores do Paraná confiam tanto na sustentação do preço do milho que dispensam uma alternativa de comercialização: a de pagar, com o produto, parte da primeira parcela da dívida sucuritizada - cujo vencimento, em outubro, seria antecipado para este mês. Pelo menos é o que informa a principal notícia desta página. É um risco porque o preço do produto está sendo sustentado, neste momento (segundo entendidos em mercado), justamente por mecanismos como o da securitização, os financiamentos em EGF/AGF e o mercado de opção.
-Na verdade, não é bem isso que ocorre. Os produtores não querem quitar parte da dívida agora porque acreditam na revisão da dívida. Claro que confiam na alta do milho, segundo os indicadores que têm em mãos. Mas não querem mexer com securitização agora para não atrapalhar uma campanha nacional que pressiona o governo no sentido de flexibilizar a dívida. Passada a carência verifica-se que a securitização não foi o melhor negócio do mundo como se imaginava 18 meses atrás quando do acordo.
-O assunto foi discutido durante toda a semana e ontem a Comissão Nacional de Crédito Rural reuniu-se com a Frente Parlamentar de Agricultura, e resolveu cobrar o acordo feito com o governo para o recálculo das dívidas renegociadas. Os produtores se queixam que o Banco do Brasil estabeleceu capitalização mensal dos juros e correção monetária dos empréstimos, o que elevou significativamente o valor das dívidas. Segundo o presidente da Comissão da CNA, Carlos Sperotto, em alguns casos o BB estabeleceu capitalização diária, transformando os valores dos débitos agrícolas em cifras absurdas.
-Além da força política da frente parlamentar, a idéia tem o aval discreto do ministro Arlindo Porto que criou um grupo de trabalho integrado pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente e pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Dias, para estudar o problema da securitização.
-Ontem, o ministro teria garantido que o valor dos débitos será recalculado, segundo informou o presidente da Comissão de Crédito Rural da CNA, Carlos Sperotto, em entrevista à repórter Mariângela Herédia, da AE. Ele lembrou que a garantia do recálculo das dívidas securitizadas está na lei que regulamentou a prorrogação dos débitos, e disse que é preciso definir logo os critérios para a revisão dos valores, já que a primeira parcela vence em outubro e o produtor precisa saber quanto, de fato, deve pagar ao banco.
-Além de mexer com interesses gerais, o alongamento da dívida tem interesses localizados. Exemplo: produtores de laranja encaminharam documento ao Ministério da Agricultura, alegando que em função dos baixos preços do produto não terão como pagar a primeira prestação da securitização. Outros produtores reclamam da autorização do governo para o pagamento antecipado, em produto, de até 50% da primeira parcela da dívida. Não há lógica em antecipar, garantem. ITR prazo

mockup