Oswaldo Petrin
Brincando com fogo
-Em janeiro, quando o governo fez o ajuste cambial, não faltou quem fizesse prognósticos bem pessimistas para o comportamento da inflação. A própria equipe econômica chegou a falar em 10% a 12%; os bancos se juntaram aos catastrofistas de plantão e projetaram 15%. Menos de três meses depois, a maioria dos analistas revisou seus cálculos: a inflação projetada não passaria dos 7% a 8%. Aliás, o Ministério da Fazenda elegeu como referência +8%. Mas, esta semana, o próprio presidente do Banco Central, Armínio Fraga, teve uma recaída e previu inflação acima de 8% até dezembro.
-A previsão de Fraga sugere que os agentes econômicos podem colocar as manguinhas de fora e flexibilizar os preços, algo que não passe de acomodações localizadas. Agora anotem: o presidente do Banco Central, hoje com autoridade de ministro da Fazenda, admite uma inflação acumulada maior, crescente, dois dias após o Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef) divulgar uma pesquisa em que os empresários admitem afrouxamento do controle da inflação. É sintomático.
-Num ambiente de transição para a estabilidade econômica em que a credibilidade é fundamental, os empresários estão com um pé atrás com relação ao governo (que não reage e não avança com a reforma fiscal). Aí vem o presidente do BC e admite aumento da inflação. Apesar da imagem de competente a que faz jus, Fraga perdeu uma boa oportunidade de ficar calado.
-Não é por acaso que sua previsão foi criticada por economistas de vários setores. As primeiras críticas vieram da PUC-RJ. Os economistas Luiz Roberto Cunha e José Márcio Camargo criticaram ontem a declaração feita pelo presidente do BC de que a inflação neste ano pode ficar um pouco acima de 8% - número escolhido como meta pelo Ministério da Fazenda.
-O que Fraga deveria saber é que a sociedade está irritada com os sucessivos reajustes (aumentos reais) das tarifas públicas. Como nos velhos tempos, são os preços do governo que puxam a inflação. Para muitos, a declaração de Fraga pode significar que o governo vá autorizar novos reajustes de combustíveis, para arrecadar mais dinheiro para o Tesouro, mesmo que isso signifique uma alta maior da inflação.
-Frases usadas por economistas para comentar a declaração de Fraga: Vamos estar brincando com fogo, pelo lado político e pelo lado social. A frase de Fraga pode significar inflação anual perigosamente perto dos 10%. Temos hoje o risco de ver outra boa idéia prejudicada.
-As taxas básicas de juro pendem para o lado de uma inflação maior. Em vez de 15% a 16% como se previu, a taxa Celic deve ficar entre 18% e 19%. Para o ano que vem sim é que será menor: de 10% a 12%.
Homem forte
O novo secretário-executivo do Ministério da Agricultura, cargo mais forte da assessoria do ministro, chama-se Márcio Fortes de Almeia. É presidente da Associação dos Exportadores. Decreto foi publicado ontem no Diário Oficial.
Assessores
Ministro ligado à exportação, secretário-executivo também. E o paranaense Ibrahim Fayad continua na Secretaria de Política Agrícola. Pratini de Moraes não concluiu a escolha de seus assessores. Pode sacar alguém do Itamaraty.
Ligue grátis
O chefe de gabinete de Pratini é J. P. da Graça Souto Maior. Ele disse ontem a este jornal que o Ministério vai manter linha direta com produtores. Tel. 0800-611995 (grátis); no gabinete: (021) 61-2182800 e 61-2182801. Pode ligar.
Leilão/álcool
O leilão para a compra de 100 milhões de litros de álcool que o Banco do Brasil realizaria ontem foi cancelado em função da transferência da Secretaria de Produtos de Base do Ministério do Desenvolvimento, para o da Agricultura.
Agosto
Uma nova data para o leilão depende do ministro Pratini de Moraes. Os leilões para a compra de álcool são para amenizar as dificuldades do setor alcooleiro, ocasionadas pelo excedente de produção. Deve ocorrer 10/8, uma terça-feira.





