Oswaldo Petrin
As metas de Pratini
Ao mesmo tempo em que o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) revela sua preocupação com a imobilidade e ineficácia do governo, o ministro que assume a Agricultura, Pratini de Moraes, ensaia um choque na inércia do Planalto, no campo que lhe cabe: a agricultura. Diz que não sabemos vender e defende um grande marketing internacional. Falou mais de problemas do que de solução. E subestimou a capacidade (de pensar) dos agricultores ao prometer safra de 100 milhões de toneladas. Deveria, então, ter anunciado os instrumentos para chegar a esse patamar.
Para um governo cujo orçamento conseguiu juntar até agora apenas R$ 500 milhões para custeio de safra (número foi informado ontem, em Curitiba, pelo diretor de Crédito do Banco do Brasil), Pratini está exageradamente otimista e tem tudo para não ser levado a sério, a continuar com esse discurso. Mas é melhor ter um ministro otimista, que conheça o mercado internacional. Neste ponto ninguém duvida de Pratini.
Melhor seria se o governo potencializasse o consumo interno, talvez o melhor mercado do mundo para o seu produto, com resposta imediatas. Mas isto é outro papo.
Uma coisa é certa. Pratini já se debruçou sobre os números do subsídio externo e das barreiras alfandegárias e tem noção dos desafios que vai enfrentar na tentativa de alavancar as exportações.
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Voltando ao manifesto dos executivos financeiros, a descrença na capacidade do governo refere-se a dificuldade de FHC em promover um ajuste fiscal que permita um crescimento sustentável da economia brasileira. Esse descrença tomou conta dos empresários e executivos financeiros no País. Pesquisa revela que 80% dos 140 pesquisados não acreditam em cortes significativos no orçamento do governo e que 12% não acreditam que o Brasil vai conseguir cumprir as metas fixadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A falta de credibilidade é ainda maior em relação aos estados e municípios, com 95% dos entrevistas descartando um ajuste mais profundo para este ano.
A pesquisa foi realizada no primeiro trimestre com 140 executivos e empresários associados ao Ibef, informa a AE - Mônica Ciarelli. O cenário traçado para as privatizações também é negativo, com 43% não apostando em novas vendas este ano. As perspectivas para a reforma tributária também são negativas, com 47% dos entrevistados acreditando que o projeto não será votado este ano. Apenas 9% acham que o governo vai conseguir promover grandes alterações com a reforma ainda em 1999.
Ganhar a confiança dos produtores é tarefa difícil para Pratini. Tão difícil quanto a tarefa do governo (se é que está preocupado com isso) de recuperar a confiança do empresariado.
Moratória
Ainda sobre a pesquisa que revela falta de confiança no governo: Um dos resultados que mais preocupam o Instituto de Executivos Financeiros, foi que 42% dos intrevistados consideram a dívida interna impagável.
Moratória 2
Desse percentual, 63% consideram que o governo pode lançar mão de uma moratória e 12% apostam na volta da inflação como instrumento para diminuir o peso da dívida interna nas contas do governo. Um cenário preocupante.
Moratória 3
O problema da dívida interna não é o seu tamanho, mas a velocidade com que vem crescendo. Em 94, a dívida estava em US$ 60 bilhões, hoje sá supera os US$ 490 bi. Com relação à dívida externa, 82% descartam qualquer hipótese de moratória.
Milho/atacado
O indicador de milho, no atacado, calculado pela FGV/BM&F, ficou estável, ontem: R$ 9,49/saca. Em dólar, US$ 5,30/saca (+1,15%). O valor a prazo ficou estável em R$ 9,80/saca. Veja preço abaixo preço ao produtor.
Soja Paraná
O Indicador de Preços da Soja, em lotes, ficou em R$ 16,05/saca (+0,44%). Em dólar, US$ 8,96/saca (+1,47%). O Indicador é calculado pela Esalq/BM&F com base nos preços praticados no mercado disponível em cinco praças do Paraná.





