-No estande de máquinas da Exposição de Londrina, o cartaz colocado na grade
de uma semeadeira-adubadeira informava: ‘‘Vendida para a família Maggi, de Ibipor㒒. Um visitante, agricultor em Ivaiporã, observa: ‘‘Puxa, há muito não se via isto’’, referindo-se ao fato de que houve pelo menos um negócio.
-E ontem, pela imprensa, outra informação animadora. O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), Sérgio Antônio Magalhães, disse: ‘‘Estamos vivendo um princípio de aquecimento econômico do setor; as fábricas de máquinas para plantio direto venderam tudo o que produziram’’. Há muito não se ouvia uma frase como a de Magalhães, proferida ontem ao ser entrevistado pela repórter Salete Silva, da ‘‘Agência Estado’’.
-Magalhães disse que o Paraná é um dos grandes mercados. Quando as vendas param por aqui, nos outros Estados a recessão está pior. Ano passado, nesta época, o setor estava completamente apático, com muito estoque e amargando inadimplência.
-Levantamento de outra entidade, a Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), mostra que no comércio atacado, as vendas de colheitadeiras cresceram 87,6%. Os resultados da indústria comprovam essa tendência. As fábricas de máquinas agrícolas venderam no primeiro trimestre entre 20% e 25% mais do que nos primeiros três meses de 1996, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), diz Magalhães.
-Outros indicadores do aquecimento econômico no setor primário. A indústria de defensivos vendeu em fevereiro 26,16% mais do que em fevereiro de 1996. O consumo de adubos e fertilizantes, no primeiro trimestre, também ficou 15,9% acima de igual período de 96, segundo o Sindicato da Indústria de Corretivos Agrícolas do Estado de SP. Os produtores estão investindo também em defensivos agrícolas e sementes. As vendas de defensivos em fevereiro superaram em 26,16% as de igual período do ano passado, segundo a Andef.
-‘‘Está acontecendo na agricultura o mesmo que na indústria e outros setores da economia’’, observa Otávio Valentim Balsadi, técnico da Fundação Seade. A mecanização das lavouras e o aumento da eficiência avançaram especialmente nas culturas de algodão e cana-de-açúcar, segundo ele. Esses são justamente setores que estão em crise, ou por causa da concorrência com outros países produtores, no caso do algodão, ou por causa da redução do consumo do álcool, caso da cana-de-açúcar.
-Com a recuperação dos preços agrícolas, a tendência é que os produtores continuem buscando o aumento da produtividade comprando mais insumos e máquinas. A expectativa do presidente da Abimaq é que os negócios este ano somem US$ 1,6 bilhão, o mesmo que em 1994, considerado um bom ano para o setor.Algodão

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