Oswaldo Petrin
Juros digeríveis
-No País da agiotagem financeira oficializada, o agricultor até que não pode reclamar das taxas de juros, em torno de 10% ao ano, na linha de financiamento da produção, que dá menos de 1% ao mês. Muita gente discordou desta observação quando FHC lançou o plano de safra, mas realmente as taxas são assimiláveis.
-Não? Então compare com as taxas do crédito pessoal e do crédito direto ao consumidor (CDP). Ou, ainda, as escorchantes taxas do cheque especial. A taxa média do cheque especial recuou de 10,56% para 10,49% ao mês, o que equivale a 231,04% ao ano. A máxima ficou em 11,85% (BCN), e a mínima, em 8,45% (Caixa-SP). O Mercantil Finasa reduziu sua taxa de 11,90% para 10,90% entre junho e julho.
-Nas lojas - que têm no financiamento aos clientes um negócio paralelo - as taxas não são menores do que nos empréstimos pessoais - aquelas que não são direcionados à compra de um bens. Nesta modalidade, a taxa média subiu de 5,59%, em junho, para 5,62%, em julho. Essa última taxa corresponde a 92,73% ao ano. Esses dados fazem parte de uma pesquisa divulgada ontem pela Agência Folha. Feita na praça de São Paulo, a pesquisa, contudo, mostra que as taxas não diferenciam muito de outras regiões.
-As taxas de juros cobradas de pessoas físicas pelos bancos estão estáveis, e num patamar ainda muito alto. Nos empréstimos pessoais houve até leve aumento da taxa média, entre junho e julho. A constatação é do Procon-SP, órgão que realiza mensalmente uma pesquisa sobre juros com 14 bancos. A última foi realizada entre os dias 5 e 8 deste mês.
-Em termos de financiamento, a situação da agricultura só não é mais confortável porque ninguém sabe quando o dinheiro chega ao interior. Sabe-se que a quantidade nunca é suficiente. Até poucos dias antes de anunciar o planto nem o governo sabia quais seriam as fontes. Captação no mercao externo (63 caipira) está descartada.
-Voltando aos juros, outro absurdo é quando se compara a taxa Celic, a taxa básica de juros com as taxas cobradas no mercado. Está em 21% ao ano. A Selic é a praticada no overnight com lastro em títulos públicos federais. Serve de parâmetro para as aplicações financeiras em geral. O governo projeta uma inflação ao redor de 8% para este ano, o que dá a dimensão do tamanho dos juros reais na ponta do crédito bancário.
-Mas há sinais positivos: No caso do empréstimo pessoal os juros médios já estão abaixo dos praticados em julho de 97, antes que a crise asiática obrigasse o governo a elevar os juros básicos, o que ocorreu diversas vezes de lá para cá. Naquela época a taxa média era de 5,98% ao mês, segundo o Procon-SP. No cheque especial, entretanto, a taxa média atual, de 10,49%, ainda
supera a de julho de 97, que alcançava 9,96% ao mês.
Lucro
Ontem, nesta página, o depoimento de um produtor de Ibiporã mostrando dados do lucro que terá com o milho. E a nova sensação, o AG 6010. Produtores do Noroeste e Oeste também estão satisfeito. Com tecnologia, o lucro é certo.
Sem risco
E, hoje, a Agência Folha traz informação de uma técnica do Deral, sobre a safrinha. À medida que o tempo passa - e mantém a estabilidade - os riscos desaparecem. Principalmente para quem plantou após 15 de março.
Safrinha
Os produtores de milho safrinha do Paraná já respiram mais aliviados. A elevação da temperatura normaliza o ciclo da planta. Há lavouras, porém, que ainda correm perigo, diz Rossana Godoy, do Deral, à Agência Folha.
Preço bom
O milho vai render bem, se o clima for bom. Os estoques estão em 800 mil t, segundo a Conab; as importações da Argentina estão mais caras e a produção nacional é menor. Com isso, os preços superam em 15% os de um ano atrás.
Saber vender
Mas o produtor precisa saber vender seu produto. As indústrias já reduziram suas compras à espera do novo milho que deve entrar com a safrinha. Quem desovar sua produção logo após a safra pode obter preços mais baixos.





