Crise de confiança
-Ao anunciar ontem a nova previsão de safra, o ministro Turra fez comentário sobre o aumento das exportações de carnes. Ele acha que isto levará ao crescimento das importações de milho da Argentina, Uruguai e EUA. Ele disse que há espaço para um aumento de 10 milhões de toneladas de milho na próxima safra.
-Mas a previsão de aumento das exportações de carne é que está intrigando o setor produtivo. Tanto técnicos do setor privado como do próprio governo estão preocupados com o controle da aftosa. Há uma evolução no quadro de controle da doença, mas há, também, um temor generalizado porque o Brasil, com muitos quilômetros de fronteira seca, é extremamente vulnerável.
-A cada previsão para exportar mais carne os técnicos se entreolham e perguntam: e a aftosa, vai deixar? Há uma falta de confiança na condução das campanhas. E uma crise de confiança com relação aos criadores. Eles vacinam?
-Tanto que ontem ocorreu algo inusitado: diante da preocupação com o ressurgimento da doença, sentaram-se na mesma mesa o Sindicato Nacional de Defensivos Animais (Sindan) e a Confederação Nacional da Agricultura (CNA). As duas entidades estavam brigando no CADE por abuso econômico nos preços das vacinas na última campanha.
-O Fórum Nacional de Pecuária de Corte reuniu as duas entidades e também a Confederação Nacional de Pecuaristas da Bolívia. A conclusão foi uma acordo para a vacinação contra febre aftosa nas regiões de fronteira entre o sul da Bolívia e o Brasil, a partir de outubro. O objetivo é evitar a ocorrência de novos focos de aftosa na região, que poderiam prejudicar o processo de erradicação da doença no chamado Circuito Centro-Oeste (que inclui o Paraná), cujas fronteiras serão fechadas a partir de 1º de agosto, para o início dos exames sorológicos.
-Não podemos correr o risco de entrada no País de um gado doente, disse o coordenador do Fórum da CNA, Antenor Nogueira, à Agência Estado. Somente em abril, segundo ele, foram registrados 32 focos de febre aftosa na Bolívia.
Cervejas A relatora do processo de fusão da Brahma e Antártica, Hebe Romano, apresentou um despacho para ser votado em plenário pedindo medida cautelar para que os efeitos da fusão fiquem suspensos temporariamente até o julgamento da operação pelo Cade. No despacho, que foi aprovado por unanimidade pelos conselheiros do órgão, a AmBev não pode fechar ou desativar parcialmente as fábricas, demitir funcionários, retirar produtos do mercado, alterar contratos com terceiros e adotar políticas uniformes. Caso a empresa descumpra um dos itens a punição será de 100 mil Ufirs por dia. Hebe Romano afirmou que essa medida cautelar não interfere na decisão final do Cade
em relação à fusão.



Leite/importa
As importações de leite em pó aumentaram 1% de janeiro a maio deste ano, chegando a 67,87 mil toneladas, apesar do ajuste cambial em janeiro e das medidas do governo para evitar a concorrência no mercado de lácteos.
Impacto
Os dados revelam que a mudança cambial não teve impacto sobre as importações do produto, pois a Argentina e o Uruguai reduziram os preços do leite em pó vendido ao Brasil, anulando ganhos que poderia obter com a queda do real.
Aumento
Houve aumento de 20,1% nas vendas de leite argentino ao Brasil nos cinco primeiros meses do ano. Entraram 52,6 mil toneladas de leite em pó daquele país, representando 90% das importações brasileiras do produto no período.
Leite/preços
O Dieese vê a importação como establizadora de preços. A grande concorrência externa segurou os preços do leite internamente. Os paulistanos pagaram 47% mais pelo leite B no Real. Já o longa vida subiu apenas 1,3% no período.
Comparando
Os alimentos industrializados subiram 18,29% no Real, com média mensal de 0,28%. Os derivados de leite acumularam alta de apenas 14% no Real e os de carne, 4%. Frutas (75%) e legumes (98%) são os que mais subiram.

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