Oswaldo Petrin
Conta do petróleo
O resultado das exportações de café solúvel brasileiro no primeiro semestre deste ano confirma a preocupante tendência de queda ao longo dos últimos cinco anos. Os números estão aí: no primeiro semestre de 1994 foram exportados 31,3 mil/t de café solúvel. Em igual período de 1998, 18,8 mil/t e, agora em 99, 19,8 mil/t, apenas 5% superior ao fraquíssimo resultado obtido em igual período do ano passado. A queda do resultado das exportações em volume, se comparado o primeiro semestre de 94 a igual período de 99, é de 36,7%.
Os dados foram fornecidos ontem a esta coluna pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel. Esta é a pior performance da receita de café solúvel brasileiro nos últimos cinco anos. O resultado é que é grande o nível de ociosidade da indústria de solúvel brasileira, em torno de 37% no primeiro semestre deste ano.
O problema do solúvel reflete na balança. Não tem o mesmo impacto do café em grãos, mas é um item importante a perder espaço. E a balança terá, este ano, também o problema da soja, com os menores preços em mais de 20 anos, conforme estudo da Faep.
O Brasil, que tanto precisa de superávits, está na seguinte situação, este ano: gasta mais na importação de petróleo e fatura menos com a venda de soja e café solúvel. Na semana passada, enquanto o preço do petróleo cru atingia os níveis mais altos dos últimos 19 meses, o preço da soja seguia trajetória inversa: despencava para os níveis mais baixos, levando os produtores norte-americanos a pedir que o governo proteja seu mercado, proibindo importações do Brasil.
No longo prazo, no entanto, as previsões dos analistas internacionais são mais otimistas. Os preços de todas as commodities, de petróleo a grãos, aumentarão por um mesmo motivo: estavam baixos demais, graças também à crise financeira internacional, e só podem subir, especialmente agora que a economia mundial começa a recuperar-se.
Não estamos diante de uma crise do petróleo, como as duas que tivemos na décadas de 70 e 80, e ninguém espera grandes aumentos, segundo explica Edgar Amador, da consultora Stone & McCarthy, à Agência Estado. Tanto é assim que estamos revendo as previsões e agora achamos que em 1999 não haverá superávit na balança comercial brasileira.
O preço do barril de petróleo cru deverá aumentar um pouco mais no período de seis meses a um ano, variando, talvez, de US$ 21 a US$ 25, prevê Tom Hogarty, consultor do American Petroleum Institute (API, que representa a indústria de petróleo norte-americana). Mas trata-se apenas de um ciclo; no longo prazo, os preços vão cair a níveis mais baixos que os atuais, observou Hogarty.
Até lá, porém, o impacto sobre a próxima safra já se consumou.
Furo
Do produtor Antônio Frederico, de Sertanópolis: Deixei de vender café a R$ 2,80/kg (R$ 168,00/saca) porque disseram que havia previsão de geadas. Agora o preço caiu para R$ 2,30/kg (R$ 138,00). Melhor que eles errem na previsão.
Consumo
Nos primeiros anos do Real, era comum o deslocamento do consumo de alimentos: mais carne e menos macarrão; mais peixe e menos massa, etc. Mas, a julgar pelo consumo de arroz que está retomando seu espaço, com aumento do consumo.
Consumo 2
Assim, a troca de alimentos já não ocorre. No caso do arroz, o consumo diário per capita é de 110 a 120 gramas, 21% mais do que nos primeiros anos do Real, diz o analista de mercado. Os alimentos baratos voltam a ser mais consumidos.
Preços
O arroz esteve meio ausente porque em novembro de 98 o pacote de cinco quilos chegou a R$ 6. Hoje está em R$ 4,80. A boa safra de 98/99 e a puxada de preços dos seus concorrentes, devido à queda do real, aliviaram o custo.
Importação
Ao contrário do ano passado, o Brasil não vai importar arroz de fora da área do Cone Sul, conforme a Agência Folha. A oferta interna é boa e argentinos e uruguaios garantem pelo menos 1,5 milhão de toneladas ao Brasil. Suficiente para conter altas.





