Oswaldo Petrin
-Pecuária extensiva está no fim, também na opinião dos técnicos do governo. Não há nenhuma novidade nos conceitos emitidos pelo secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Guilherme Dias, sobre lucratividade na atividade primária, especialmente na pecuária. Mas, pelo menos, evidencia o pensamento do governo. Não diverge do pensamento do mercado. Dias sustenta (em entrevista, ontem, à repórter Mariângela Herédia, da Agência Estado), que não há mais oportunidade de competição para a pecuária extensiva e tradicional que acompanhou a movimentação das fronteiras agrícolas. O segmento está desaparecendo e nós não vamos sentir falta dele porque já há um processo de reestruturação da pecuária com forte avanço genético, se juntando com uma vertente que sabe cultivar pastagens, disse Dias.
-Este esforço que vem sendo feito pelo setor privado, destacou, vai constituir uma pecuária intensiva e moderna, com condições de competir. Na pecuária extensiva, o gado é engordado solto nos pastos, e na intensiva, ele é confinado.
-O grande obstáculo à competitividade da pecuária de corte é a modernização do sistema de frigoríficos, em que se constata o problema da sonegação fiscal, aliado à falta de um sistema de controle dos ministérios da Agricultura e da Saúde. Técnicos da Agricultura lembram que o abate clandestino responde por cerca de 50% da carne consumida no País e, pior que a sonegação fiscal, é o risco que traz ao consumidor, pois não existe qualquer garantia sanitária do produto.
-O Ministério da Agricultura quer acabar com o mito de carne de primeira e de segunda que historicamente pautou as vendas no País, disse o diretor do Departamento Técnico de Produção Animal, Júlio Puga. A idéia é incentivar o abate do novilho precoce aos 18 ou 20 meses, em média, e conscientizar a população de que a carne mais jovem é melhor. Por isso, o programa de venda de carne embalada em algumas capitais do País já traz na etiqueta a idade do animal abatido.
-Queremos mostrar que o filet mignon de uma vaca de 20 anos, que já cansou de produzir leite, não é o mesmo de um animal de 18 meses, disse. O Ministério da Agricultura pretende mudar a mentalidade da dona de casa para o aproveitamento das diversas opções de cortes de carne. Hoje, a tendência do mercado de carnes é classificar como carne de primeira a parte do meio para trás do boi, onde estão as peças mais nobres, e de segunda, do meio para frente.
-Mas é possível ter pratos saborosos com a chamada carne de segunda, desde que seja de um animal jovem, avaliou Puga. A média de abate na pecuária de corte brasileira é de 4 anos e meio, atualmente. Com o incentivo ao abate precoce, o Ministério da Agricultura pretende oferecer carne de melhor qualidade ao consumidor e maior rendimento ao produtor.
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