Ataque especulativo
-Parece represália ao resultado no futebol. Se não fosse tão sério. Um gerente de banco em Londrina garantiu ontem que ao ver, domingo, a frase ‘‘Não chore por mim Argentina’’ exibida por torcedores brasileiros, sentiu algo adverso ao sabor da vitória. Ontem ele concluiu: ‘‘Era isso’’, referindo-se a um dia de muita especulação no mercado financeiro.
-Aquela sensação estranha poderia ser o efeito argentino por acontecer no ‘‘day after’’, que não conseguiu decodificar no momento. Vulnerável a qualquer ataque especulativo, a moeda brasileira não passa incólume ao destempero emocional de políticos. A declaração do candidato do partido argentino, Eduardo Duhalde, publicada no jornal El Clarín (de que pedirá ao papa João Paulo II a suspensão ‘‘por um ano’’ dos pagamentos da dívida externa para os países com problemas econômicos, ‘‘como a Argentina’’) explodiu como uma bomba.
-O mercado trabalhou nervoso, o dólar fechou em alta (1,83.5 - veja nas páginas de Economia) e o diretor de Política Monetária do Banco Central, Luiz Fernando Figueiredo, teve que passar o dia explicando que o nervosismo do mercado foi ‘‘exagerado’’. Ele negou a possibilidade de elevar a taxa de juros para combater a pressão no câmbio.
-Mas o administrador de recursos e consultor de empresas, Dimitri Eduardo Abudi, de Londrina, observou bem: os investidores externos não distinguem os ambientes de Argentina e Brasil, são todos emergentes. E quando ocorrem problemas na Argentina os investidores acham natural que respingue no Brasil e vice-versa. Mas se o Brasil tivesse consolidado suas reformas e fortalecido sua moeda, certamente estaria menos exposto, menos vulnerável, observou o técnico.
-Dimitri estava se referindo à repercussão das declarações do candidato argentino - por sinal, situacionista - que derrubou a bolsa na Argentina e elevou o dólar em vários países, inclusive no Brasil. Enfim, era o cenário da tarde de ontem, com o mercado nervoso, como devem mostrar as manchetes de hoje.
- Soja/milho/USDA O USDA divulgou ontem novos dados sobre a safra norte-americana. Entre os números, dois novos recordes de produção: soja e arroz, enquanto trigo e milho têm pequenas reduções em relação à safra anterior. Os dados da soja são os mais preocupantes. Mantido o quadro previsto atualmente, a safra norte-americana pode subir para 80 milhões de toneladas, 7% a mais do que a anterior. Será o terceiro recorde de produção de soja nos EUA. Com isso, os estoques, que eram baixos e forçaram a alta dos preços nos últimos anos, voltam a subir. Eram 5 milhões de toneladas em 97, subindo para 11 milhões em 98. Em 99, podem chegar a 16 milhões de toneladas.



Pecplan/Parmalat
A Pecplan ABS, líder mundial em genética, e a Parmalat, líder da indústria de lácteos, firmaram convênio para melhorar a qualidade do leite. Multinacional italiana vai distribuir sêmen de touros de raça aos seus fornecedores.
Apoio
O pagamento do sêmen será parcelado em até dez vezes sem juros e descontado da conta-leite junto ao laticínio. Assim, o produtor terá acesso a uma genética superior. Mas terá que apresentar resultados em dois anos.
Fornecedores
A Parmalat tem 17 mil produtores, 15% deles fazem uso da inseminação artificial e respondem por 80% do leite fornecido. A intenção é elevar esse porcentual a uma taxa de 20% ao ano.
Inflação
O IPCA, índice escolhido pelo governo para guiar a nova política monetária de metas de inflação, caiu em junho para 0,19%, contra 0,30% em maio, segundo dados divulgados pelo IBGE, na sexta-feira.
Detalhe:
O IPCA só não registrou variação negativa em junho devido aos aumentos generalizados nas tarifas públicas (energia elétrica, gás de botijão, telefone e ônibus) e nos preços dos remédios e dos combustíveis. Alimentos têm segurado a inflação.

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