Oswaldo Petrin
-As indústrias de fertilizantes são o grande aliado da produção, este ano, na briga para que o governo anuncie a tempo - de preferência com boa antecipação - as normas para o custeio da próxima safra. Principalmente quanto aos juros e uma provável negociação da primeria parcela da dívida securitizada. A antecipação do anúncio das medidas para maio poderia resolver o problema de financiamento do crédito rural para o setor de fertilizantes.
-É que as misturadoras de fertilizantes vivem uma nova realidade na política de improtação. O governo deu um corte na mamata para compra de matérias-primas. A medida provisória (MP) que restringe as importações em geral (adotada para equilíbrio da balança comercial) atingiu em cheio o setor de fertilizantes. E, neste caso, o que não é bom para a indústria de fertilizantes também não é bom para o produtor.
-Acabou a farra dos prazos nas importações. O governo não cede nas restrições às importações, mas no caso do setor de fertilizantes, que entrou de gaiato, o ministro Malan promete compensações. Empresários da área de fertilizantes, em reunião ontem no Ministério da Agricultura, pediram recursos para enfrentar a nova realidade de mercado após as restrições impostas às importações pela Medida Provisória 1569. Os representantes do setor de fertilizantes argumentam que a MP está prejudicando principalmente os pequenos e médios industriais, já que as grandes empresas estão escapando da proibição, conseguindo prazos de 365 dias para a importação de matérias-primas.
-Embora o governo não transija (o secretário de Política Agrícola, Guilherme Dias, deixou claro que não é possível alterar o prazo fixado na MP para o pagamento à vista das importações) ele admite contornar a situação: o governo estuda uma forma de dar acesso aos recursos do crédito rural para estocagem dentro dos limites das exigibilidades _ parcela de 25% dos depósitos à vista que deve ser aplicada no crédito rural _ e também ampliar a flexibilidade dos financiamentos externos da resolução 2.148, a chamada 63 caipira.
-A próxima reunião do Conselho Monetário Nacional, quarta-feira, apreciará o voto que permitirá o repasse de recursos entre empresas dos financiamentos da 63 caipira Mas o governo ainda busca a fórmula para a flexibilização dos empréstimos, segundo a Agência Estado, ontem. As empresas de fertilizantes preferem as operações de custeio agrícola com juros menores, de 12% ao ano, e pediram que os recursos adicionais das exigibilidades (de cerca de R$ 2 bilhões), conseguidos com a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), possam ser usados para atender o setor.
Pré-custeio





