Reforma tributária
-Quem sonha com a reforma tributária começou o dia de ontem com notícia pessimista. Em primeiro lugar, vale observar que reforma tributária não é aspiração de empresário. Ela é necessária porque vai descomplicar (talvez desonerar) a vida das pessoas comuns, consumidores, trabalhadores. A reforma, não é, portanto, do interesse exclusivo das empresas, até porque elas jamais deixaram de repassar custos de impostos ou taxas para o produto final.
-Mas a notícia pessimista saiu na Central Brasileira de Notícias (CBN) em rede nacional. O presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, em entrevista ao jornalista Heródoto Barbeiro, disse temer que ocorra o pior com relação à reforma tributária. Ele acha que é preciso pressionar para que a reforma tributária aconteça o mais rápido possível porque, ‘‘se ela não for feita agora, será realizada somente em 2003’’. Piva não é o único: muita gente chegou a prever isto. O governo FHC é um governo fraco, sem direção, e quem pressionar mais, leva. Ou melhor, sem pressão o governo não anda, as coisas não acontecem.
-Piva alertou para uma série de dificuldades para que a reforma tributária não aconteça. ‘‘Os setores produtivos têm pressionado por essa reforma porque temos muito claro em mente que, se ela não for feita ainda este ano, provavelmente só será feita em 2003, já que temos no Brasil uma forte influência das eleições e da política e isso vai acabar fazendo com que a agenda mude’’ - disse.
-O que Piva não falou, mas parece indisfarçável, é que a reforma tem resistência nos escalões mais altos do próprio governo. Sem falar naqueles redutos que são, assumidamente, contra a mudança. Dizem que, em termos de poder de influência, essas correntes são tão fortes quanto os defensores das mudanças. Elas também estão presentes no Legislativo.
-Sem mudança, a atividade econômica continua presa a esta camisa de força que é a legislação atual, que pune o empreendedor e tira a competitividade dos produtos brasileiros. É bom para todos uma legislação simplificada e não cumulativa.
-O que mais disse Piva, na BCN: Temos uma legislação tributária no Brasil que pune o empreendedor, que pune a sociedade que paga impostos, fazendo com que ela tenha que arcar com uma carga que tira completamente a competitividade dos produtos brasileiros. Vamos simplificar, vamos trabalhar com a não cumulatividade, com a transparência. Vamos saber de uma maneira mais positiva para onde está indo o dinheiro do contribuinte.
-Pena que as lideranças empresariais, exceção de São Paulo, não se movimentam na mesma direção. Não pressionam. Deixam entrever que, particularmente, cada dirigente está envolvido com o governo e tem outros interesses mais próximos a serem negociados.



Prejuízo
Em um ano e meio o Brasil perdeu US$ 3 bi com a queda dos preços internacionais de produtos agrícolas e bens semimanufaturados. Dados são da Associação de Comércio Exterior do Brasil.

Em baixa
Esta perda não é mera estatística. Ela reflete os prejuízos de cada agricultor, pois é pulverizada entre eles. O presidente da Faep, Agide Meneguete, afirma que a soja tem os menores preços da história.

Queda de 23%
Segundo Marcos V. Pratini de Moraes, presidente da Associação de Comércio Exterior, nos últimos três anos o valor médio das commodities agrícolas caiu 23%. Apenas em 1998, a queda foi de 14,8%.

Reforma agrária
O MST pode festejar: o ministro Raul Jungmann, da Política Fundiária, vai sugerir ao presidente FHC a utilização de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) na reforma agrária.

Reforma agrária 2
Mais: vai sugerir também aumento dos recursos dos fundos constitucionais para a reforma agrária. Dos atuais 10% o Ministério de Política Fundiária espera aumentar para 20% o percentual dos recursos para assentamento.

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