Oswaldo Petrin
Um semestre melhor
-A Associação Brasileira da Indústria Têxtil espera encerrar o ano com crescimento de 11%, atribuído à performance do segundo semestre, daqui para frente, já que o primeiro semestre foi truncado pela baixa demanda, juros altos e incertezas no cenário macroeconômico. Tantas ameaças de ataques especulativos inibiram as vendas a prazo por parte da indústria; as promoções do comércio e espantaram os consumidores, temerosos com relação ao desemprego.
-O cenário para o segundo semestre, felizmente, é bem diferente. A previsão de crescimento do setor têxtil - tecelagem e confecções - é confirmada pela previsão que o IBGE faz para quase todos os setores produtivos. A previsão é que se os bancos repassarem a queda dos juros básicos para o setor comercial as vantagens vão rebater na ponta do consumo, beneficiando a expansão da demanda agregada.
-Há vários setores esperando crescimento no segundo semestre. Enquanto isso, as indústrias de máquinas e insumos agrícolas que apostavam na safra de verão para recuperar vários anos de recessão, tiveram que rever suas metas. Havia um otimismo generalizado no setor. Mas após o pronunciamento do presidente FHC anunciando o plano de safra, os agricultores desanimaram um pouco indicando retração nas vendas, ao contrário do que se previa em abril e maio.
-Com exceção dos setores ligados ao agronegócio - que suspende a comemoração -, os demais setores corrigem suas previsões - para melhor - e fazem projeções otimistas. Ainda ontem, o IBGE previu um bom desempenho para a indústria no segundo semestre. A queda da taxa de juros deve ser repassada para o crédito ao consumidor, e é esperado o aumento das exportações de bens produzidos pelo setor.
-Voltando ao setor têxtil, o IBGE confirma a previsão de crescimento apresentada pelos empresários, mas atribui a outra variável: acha que a desvalorização do real deve melhorar as condições de competição já que os produtos de concorrentes estrangeiros estão mais caros, acrescentou a pesquisadora. Neste caso, não se trata de expansão das vendas, mas de uma recuperação do cliente.
-Para os catastrofistas de plantão, o primeiro semestre não foi perdido como se esperava. A produção industrial cresceu 2,1% em maio, na comparação com o mês de abril. Foi o melhor resultado apurado pelo IBGE desde junho de 1998. Embora o desempenho do setor de janeiro a maio ainda é inferior ao mesmo período no ano passado. Ainda, segundo o IBGE (Agência Estado, ontem): o crescimento de 2,1% foi resultado do aumento da produção de 16 dos 20 ramos industriais pesquisados pelo IBGE. Os setores com altas que mais se destacaram foram os de fumo (9%), têxtil (8,1%) e produtos alimentares (7,8%).
Boi Gordo S/A
- Comissão de Valores Mobiliários autorizou ontem a Fazendas Reunidas Boi Gordo S/A a emitir 17 mil novos contratos de parceria na engorda bovina, num total de 1 milhão de arrobas de gado.
CVM libera
-É a primeira liberação aprovada pela CVM de acordo com a nova sistemática que vai viger daqui para frente nos contratos de engorda: eles passam a ser seriados e com arrobagem fixa, informa a ADS assessoria.
Contratos
-A Boi Gordo foi autorizada a emitir 16 mil contratos de 50 arrobas e mil contratos de 200 arrobas. O parceiro que quiser quantidades maiores, terá seu lote composto por vários contatos.
Preço/referência
-Ficou definido que o preço da arroba nos contratos (dia da compra e da venda da mercadoria) será o da praça de Cáceres (MT). A empresa avalia o deferimento integral do pedido que fez à CVM como um aval a sua meta de ampliar a escala.
Projetos
-A Boi Gordo, que investiu US$ 4,2 milhões em melhoramento nos últimos anos, está investindo US$ 5 milhões em expansão no MS, incluindo um confinamento para 66 mil cabeças/ano em Porto Esperidião, e uma fábrica de ração em Cuiabá.





