Oswaldo Petrin
Baixo impacto no IPCA
-Um relatório sobre o impacto dos preços agrícolas e agroindustriais na economia do País - e como esses preços transparecem nos índices da inflação, impedindo sua evolução - está sendo encaminhado pela Confederação Nacional da Agricultura aos ministros da área econômica e presidente do Banco Central. Objetivo é mostrar o papel dos preços agrícolas para conter os preços e garantir estabilidade econômica. E, ao mesmo tempo, como esta base de sustentação pode ser alargada com uma política agrícola de incentivo à produção primária e de financiamento ao agronegócio. O documento pode abrir a discussão em torno da revisão do Plano de Safra anunciado dia 18 pelo presidente FHC. O Plano de Safra além de anunciar metas modestíssimas, ainda esfriou o ânimo dos produtores que não confiam no que foi prometido.
-Coincidindo com os dados sobre o (baixo) impacto dos preços dos alimentos no custo da cesta básica, ontem foram divulgados os últimos levantamentos sobre comportamento dos preços. Conclusão, a partir desses dados: os alimentos foram os responsáveis pela inflação baixa no Real.
-A taxa de julho de 94 a junho de 99 foi de 69,21%, com média mensal de 0,88%. Os alimentos subiram 0,56%. Os dados são da Fipe, que pesquisa preços em São Paulo. As carnes bovinas subiram 36%. As de frango, 20% e as de suíno, 32%. Os pescados, por sua vez, tiveram forte alta: 190%. Arroz e feijão subiram menos do que a inflação, diz a Fipe. A alta foi de 40% para o arroz e de 66% para o feijão. Nos últimos 12 meses caíram 11% e 46%, respectivamente. A grande concorrência externa segurou os preços do leite internamente. Os paulistanos pagaram 47% mais pelo leite B no Real. Já o longa vida subiu apenas 1,3% no período.
-Os alimentos industrializados subiram 18,29% no Real, reajuste médio mensal de apenas 0,28%. Os derivados de leite acumularam alta de apenas 14% no Real e os de carne, 4%.
-Os itens cujos preços tiveram alta acima da inflação média não têm peso específico na cesta básica. São frutas e legumes de baixo consumo. Assim, os maiores aumentos entre os alimentos vieram dos in natura , que subiram 70% no Real. Frutas subiram 75%; legumes, 98% e verduras, 75%. Batata e
cebola subiram 22%.
-Comparando: os preços do varejo em várias capitais subiram em média 1,5% no mês passado, segundo pesquisa divulgada ontem pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo. As maiores altas foram registradas em móveis e decorações (4,4%), vestuário (4,41%), produtos farmacêuticos (3,2%) e veículos (4,38%). No caso dos remédios, os preços já acumulam alta de 16,25% desde o início do ano. A pesquisa mostrou ainda queda de 0,04% nos preços dos alimentos em junho, enquanto os eletrodomésticos ficaram 0,52% mais baratos. Os produtos de
limpeza doméstica e o material de construção também apresentaram variações
negativas no período, de 0,02% e 1,88%.
Farelo integral
A Cooperativa de Orlândia-SP (Carol) lança hoje no mercado nacional o farelo de soja integral. A expectativa é de que o produto represente um aumento de 20% no faturamento industrial, que em 98 foi de R$ 50 milhões.
Proteínas
Novo farelo é destinado a frangos de corte, por ser rico em proteínas, e por facilitar o abate aos 40 dias, comparados aos 45 a 50 dias dos abates comuns. Mas não é desaconselhável para aves de postura e outros animais.
Mais caro
A tonelada do farelo integral deverá chegar ao mercado entre R$ 290,00 e R$ 300,00. É bem mais caro que o comum: entre R$ 220,00 e 225,00. Cerca de 70% deste preço representa os custos industriais.
Café/Sindicato
Amanhã, quinta, às 19h30, no Sindicato Rural de Londrina, palestra do corretor Marco A. Bacceti sobre tendência de preços e qualidade. Bacceti está no ramo há 35 anos. E tem muita coisa nova para contar e discutir.
Café/surpresa
A palestra ocorre na hora certa. É inusitada a queda de preços agora quando todos os fatores convergem para alta: clima, baixo estoque, etc. Na Bolsa de NY, contratos de julho e setembro fecharam a 92 centavos de dólar/libra-peso, rompendo (para baixo) a barreira de um dólar. Bacceti explica.





