Transgênico: impasse
-Em artigo que escreveu dias atrás, o presidente da Faep, Ágide Meneguette, sintetiza bem a preocupação dos produtores em relação à polêmica da soja geneticamente modificada. Independente de posições sobre o assunto, neste momento o que toda a cadeia produtiva da soja precisa - do agricultor ao consumidor - é definição para decidir. Informações que balizem o mercado. Esta falta de clareza preocupa, diante da aproximação da safra. É uma questão prática.
-O artigo de Ágide expressa bem esta expectativa. Tanto que em certa altura ele tenta achar uma saída: ‘‘Considero que é urgente atender à proposta feita pelo secretário nacional de Política Agrícola, Ibrahim Fayad, do envio de uma missão de técnicos aos países europeus e ao Japão para verificar - com as pessoas responsáveis pela regulamentação oficial, pelas importações, transformação e venda de produtos derivados da soja - qual a real situação’’.
-A missão (técnica), imagina-se, vai tirar suas próprias conclusões, com base em dados e constatações despojados de componentes emocionais que têm permeado as informações e análises veiculadas até agora. O tema, colocado de maneira tão difusa, deu ensejo a tudo até agora. Até para grandes redes de supermercados, na carona da polêmica, tornarem suas imagens mais simpáticas diante do consumidor.
-Voltando à posição do presidente da Faep, importante frisar, pelo peso político da instituição, ela reflete hoje a angústia de todo um setor muito forte economicamente. Basta lembrar que a presença do óleo de soja na mesa do brasileiro, para não entrar em outros números. O artigo de Meneguette cita outros dados em que a questão transgênica impacta: 70% das nossas exportações de soja e farelo se destinam a países que fazem restrições cada vez maiores ao consumo de transgênicos. Em cima desse fato, o presidente da Faep expõe o seguinte raciocínio: os Estados Unidos e Argentina aumentaram consideravelmente o volume de produção de soja transgênica. Dentre os grandes produtores mundiais, o Brasil ainda é o único que não aderiu abertamente à nova espécie.
-Os países que fazem restrições à soja transgênica, provavelmente, durante um bom tempo, não vão comprar ou vão oferecer resistência à importação da transgênica, preferindo a soja convencional. Já os mercados que compram a transgênica não têm por que não comprar também a convencional. Mesmo que represente um custo um pouco maior, o fato de termos um mercado assegurado se torna um fato extremamente confortável, o que já não é o caso dos produtores norte-americanos e argentinos, principalmente estes últimos.
-É uma questão a ser considerada. Por esta e outras razões, é importante que o Brasil defina o que pretende realmente com este avanço da técnica. Ainda que as discussões continuem até dirimir todas as dúvidas, o que é salutar, pelo menos para esta safra o mercado precisa de um rumo.

Crédito
Fonte do Ministério da Agricultura já admite que o governo não terá todo recurso anunciado pelo presidente FHC no dia 18 de junho. Também os limites para cada produtor serão menores. A soja não terá os R$ 100 mil previstos.

Milho
Mas, no caso do milho, o tratamento diferenciado continua. O teto é bem mais alto R$ 200 mil por produtor. É que o governo não quer depender da importação em grande escala do produto. No caso da soja o risco de importar não existe.

Consumo
Além disso, o Ministério da Agricultura tem estudos indicando aumento da demanda de ração em três setores: avicultura (corte e postura), suinocultura e confinamento. Representantes desses setores confirmam, com exceção do boi.

Café/contra-1
A Abecafé, que representa os exportadores de café, garante: embora preocupado em melhorar a imagem do café brasileiro, o governo andou comprando café de fora para servir aos chefes de Estado que participaram dias atrás da Cimeira.

Café/contra-2
O cafezinho servido na oportunidade foi feito com 45% de grãos de outros países e 55% dos nossos cafés finos. A Abecafé se surpreendeu com o que sua assessoria chamou de incoerência. Propaganda contra o produto e o produtor.

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