Oswaldo Petrin
Cautela com os gastos
-Uma avaliação cautelosa de todas as análises feitas sobre o Plano Real, esta semana, leva à conclusão definitiva de que o programa realmente foi prejudicial para a agricultura. Foram muitos os especialistas que falaram ou escreveram sobre os cinco anos do Plano, comemorados na última quinta-feira. Há um ponto em que as opiniões são convergentes: todos concordam que o governo impôs muito sacrifício à produção. E não foi unicamente ao setor primário, mas ao agronegócio, que é mais abrangente.
-O presidente FHC, no seu discurso, disse que a agricultura estava em situação desesperadora no início do seu governo. Nem tanto. Mas, com certeza ele a deixou em situação pior. Sinais de melhora só se manifestaram no início deste ano, com o ajuste cambial, que veio muito tarde.
-Todos concordam também com relação à origem da crise do setor: a âncora cambial, que deprimiu os preços agrícolas, levando produtores ao endividamento que securitização alguma consegue sanear.
-Há dois pontos das análises que devem levados em conta. O primeiro é a posição unânime com relação ao estrago que o plano causou ao setor produtivo. O segundo - fora do Plano Real, mas no âmbito do governo - é que o setor de agronegócios não deve se entusiasmar muito com o anúncio de FHC sobre a safra, feito dias atrás, antes do aniversário do Real. A sugestão é para que os empresários recebam com cautela os números apresentados pelo presidente com relação aos recursos. A exemplo do que ocorreu na safra passada, esses recursos podem não chegar ao interior em sua totalidade, R$ 13,1 bilhões, mais 1,5 bilhão, sendo R$ 800 milhões só para as cooperativas (Recoop).
-Na Confederação Nacional da Agricultura e na Organização das Cooperativas Brasileiras comenta-se que os técnicos do Ministério da Fazenda ainda não sabem qual a fonte do dinheiro. Também não confirmam que as taxas de juros diferenciadas (8.75% para grandes e médios e 5,75% para programas sociais como Pronaf) incidam sobre R$ 9 bilhões, ou seja, a maior parte do dinheiro virtualmente disponível.
-Em relação ao aumento dos preços mínimos para os produtos agrícolas, o produtor não deve acreditar que o governo tem, com essa medida, a intenção de reativar a política de garantia de preços mínimos. O aumento não é um sinal de que o governo quer reativá-la. Ele vem dando evidências de que quer sair da política de preços mínimos.
-Sobre a distribuição de recursos, vale observar a posição do professor Fernando Homem de Melo, especialista em economia agrícola. Ele acredita que os médios e grandes produtores podem ser prejudicados uma vez que os recursos em valores reais que lhes serão destinados podem ser menores - considerando a desvalorização cambial e o aumento de custos.
Leitores
Sábado, dia de correspondências - os desabafos por telefone, cartas, e-maisl. Oscar Dorvalino Krunz, de Cascavel: Andaram alardiando que haverá dinheiro para todos e tudo nesta safra. Quero saber se o dinheiro estará no banco, na hora da precisão.
Safra/Turra
Antânio Amador Furtado, de Assai: Alguém tem que dizer ao ministro Turra e este ao presidente Fernando Henrique, que safra só se conta após a colheita. Não adianta comemorar os números agora. A galinha não botou. Não andianta cantar.
Real
Eduardo F. Conti, de Londrina: Seu artigo de quinta-feira Cinco Anos de Real, coloca a melhoria dos padrões de consumo de parte da população como compensação pela falência de milhares de empresas. Será que realmente compensou?.
Real 2
Outra coisa: Já que se admite que o Plano quebrou a agricultura, como absolvê-lo no geral se a agricultura é a base da economia deste País. Estamos todos deslumbrados pelo controle da inflação. Como se isto fosse tudo.
Barganha
Nos dados sobre variação dos preços agrícolas e de adubos e máquinas, fica a ilusão de que foram os produtos do agricultor que levaram vantagem. Na relação de sacos de milho ou soja x tonelada de adubo simples ou sementes, a máscara cai. Agricultura perde a barganha.





