Falta de sintonia
-Independente do seu conteúdo pouco consistente, a ‘‘Agenda Positiva’’, contendo propostas da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Confederação Nacional da Agricultura (CNA) para uma política agrícola minimamente planejada, revela a distância entre governo e setores representativos da agropecuária. Numa atitude de aparente indiferença às propostas do ministro Turra, as duas entidades esperaram o governo fazer o anúncio do plano de safra para apresentar suas propostas, tendo como palco a Câmara dos Deputados, na última quarta-feira. O fato de as propostas da CNA e OCB serem de longo prazo - ao contrário do plano de safra que contém medidas pontuais -, não justifica tamanha falta de sintonia entre entidades e Ministério da Agricultura, mesmo quando se leva em conta a falta de expressão política da Pasta. Ou o governo está administrando sem ouvir os setores interessados, ou as entidades não acreditam em outros caminhos que não o Legislativo para conduzir suas aspirações.
-Mas afinal o que sugerem CNA e OCB?
-Segundo o projeto apresentado à Comissão de Agricultura da Câmara, ‘‘investimentos adequados’’ na área agrícola permitirão criar 1,5 milhão de empregos até 2003 e ainda elevar as exportações do setor para US$ 45 bilhões em 2002.
-É proposta com apelo político, no bom sentido, como se vê. Outra proposta é a reativação do Conselho Nacional de Política Agrícola, com a participação de representantes do setor produtivo. Uma forma de recuperar espaço para as lideranças rurais.
-O projeto da CNA e OCB, as duas maiores forças do setor, prevê o que seus autores chamam de ‘‘alavancagem do agronegócio’’, com metas bem mais ambiciosas, porém atingíveis, se comparado ao saldo da última safra que, embora modesta, revela que o potencial de crescimento do setor.
-Segundo o documento distribuído pelas duas entidades, a produção agrícola de 1998 que somou US$ 84,8 bilhões, correspondentes a 11% do Produto Interno Bruto (PIB), mostra, mal comparando, que a produção de grãos ou de carne tem muito espaço para crescer: até 20% ao ano.
-Este é o sentido da ‘‘Agenda’’: investir para crescer. O problema é que tudo passa pela equação das dívidas. Por esta razão, as metas de elevar a receita das exportações e aumentar a participação do setor primário e agroindustrial no PIB, não passam de sono dourado, quando o setor não consegue sequer se safar da angustiante dívida securitizada. Setor não está à vontade para exigir. A prioridade é renegociar dívidas. É isto que lideranças do setor, com apoio da bancada ruralista, estão propondo ao governo.



Como pagar?
O plano prevê o pagamento de cerca de R$ 24 bi em 20 anos, com quatro anos de carência e juros de 3% ao ano, além do pagamento das prestações limitado a 4% da renda bruta do produtor.
Bônus
O produtor receberia um bônus, que, ao final de 20 anos, teria um desconto de 40,62% da dívida original. A proposta deverá ser encaminhada pelo Executivo ao Congresso na forma projeto de lei.
Boi SP
O preço da arroba do boi gordo chegou a atingir R$ 32 ontem no Estado de
São Paulo. Esses valores, no entanto, não se sustentaram, fechando em R$ 31,50. Mercado paulista exerce forte influência sobre demais Estados.
Leite
A formação da sociedade anônima foi a saída encontrada pela Leite Paulista para racionalizar custos industrial da central e das suas associadas, anunciou ontem Almir Meireles, da consultoria BrainStock, que faz o saneamento da Cooperativa.
Leite 2
O sitema paulista possui 38 marcas de leite in natura. As regionais criaram indústrias e estruturas de comercialização próprias, o que originou as marcas também regionais. Mas serão unificadas para sobreviver, diz Meireles.

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