Oswaldo Petrin
A crise pelo meio
-O semestre termina menos conturbado e com os analistas revendo suas projeções. Ao contrário do que economistas e empresários projetaram, os principais indicadores mostram que a recessão não está sendo tão implacável e até autorizam prognósticos mais otimistas para o segundo semestre. E o ajuste cambial, contrariando o que se previu em janeiro, não foi um divisor de água do plano de estabilidade econômica.
-Ninguém está negando que o País esteja em crise. Pelo contrário, há desemprego, fechamento de pequenas empresas e recuo nos investimentos. Mas muito desse cenário deve ser debitado a problemas estruturais - como a brutal concentração da renda - e não, necessariamente, à decadência do real como deixaram entrever dezenas de análises ao conferirem importância exagerada aos ataques especulativos ocorridos no início do ano, mero acidente de percurso.
-Convenhamos que o primeiro semestre foi conturbado com juros altos. Mas também nesta variável vale ressaltar a acentuada redução dos juros básicos, caindo de patamares acima de 45% para taxas mais civilizadas de 21%. O impacto dessa redução ainda está por acontecer; a ponta do consumidor ainda não foi beneficiada com a redução de taxas.
-Nada está perdido, portanto, e a economia até tem reagido para nenhum catastrofista botar defeito. Pena que o governo é que não reage, não age, não avança, enfim é tomado por irritante inapetência política, principalmente com relação à reforma fiscal.
-Semanas atrás, a aposta de crescimento privilegiava exclusivamente os setores alimentício, especialmente o de massas, e construção civil. Mas, agora, há outros segmentos aliviados e prevendo expansão. E são muitos. A indústria têxtil, por exemplo, os calçados, alimentos enlatados, produtos de higiene e beleza e equipamentos de telefonia encerram o primeiro semestre com desempenho acima do previsto logo após a desvalorização cambial de janeiro.
-Mas esses dados são sinalizadores aleatórios, embora mensuráveis e reais. Já com relação aos números oficiais da inflação, há convergência para uma taxa entre 6% e 8% ao ano (previsão inicial era de 12 a 15%), considerando o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da USP, divulgado neste início de semana. Como se vê são dados muito diferentes daqueles desenhados em janeiro/fevereiro.
-Se o clima ajudar o bom desempenho da safra de verão, a alavancagem na economia vai se concretizar no último trimestre do ano, antes mesmo da temporada de comercialização. E se houver bom desempenho das exportações, melhora ainda. Esta performance saudável só não está assegurada com antencedência porque o governo não ousou no plano de safra. Pelo contrário, anunciou medidas tímidas e não transmitiu firmeza alguma.
SLC é Deere
A Schneider Logemann SA (SLC), maior fabricante de colheitadeiras do Brasil, com sede em Horizontina (RS), e a Deere & Company anunciaram ontem a transferência do controle da companhia gaúcha ao grupo norteamericano.
Faturamento
A operação, cujo valor não foi revelado, foi anunciada em press-release pelo diretor-presidente da SLC-John Deere, Eduardo Logemann. Deere vai aumentar o grau de internacionalização da empresa, que em 98 obteve 36% do faturamento de US$ 317 milhões com exportações para o Mercosul e a Europa.
Capital
A Deere, maior fabricante mundial de máquinas agrícolas, com faturamento de US$ 11,9 bilhões ano passado, era sócia da SLC desde 1979, quando adquiriu uma participação de 20%. Em 1995 a fatia aumentou para 40%.
Mercado
Segundo diretor comercial Martin Mundstock, a empresa deve fabricar duas mil colheitadeiras e 4 mil tratores este ano. O Brasil precisa de 4 mil colheitadeiras e 40 mil tratores para atualizar sua frota.
Mercado 2
A SLC-John Deere responde por 41% das vendas nacionais de colheitadeiras e 60% das exportações brasileiras no segmento. A empresa produz tratores desde 1996 e já detém uma participação de 11% no mercado interno neste setor (AE).





