Oswaldo Petrin
Subsídios europeus
-É ilusório achar que discussões entre os blocos econômicos evoluam em direção de uma abertura de mercado, facilitando as vendas de produtos brasileiros. Ainda há setores sonhando alto, com facilidades nas exportações que vão desde o artesanato da pequena propriedade até a produção de escala nos itens carnes, sucos, café, açúcar, etc. O comércio internacional é uma guerra que tem que ser ganha dentro do próprio País, com políticas favoráveis à exportação, quando há interesse em exportar.
-A sisuda União Européia não transige quando o assunto é o subsídio dos seus produtores. E os Estados Unidos, fazem tipo, defendendo a retirada de artifícios, porém impondo barreiras. Detalhe, barreiras sanitárias são barreiras comerciais. As barreiras sanitárias são uma forma de driblar ou descumprir tratados selados em reuniões de cúpula.
-Portanto, pode-se esperar tudo da reunião de cúpula que se realiza no Rio entre representantes da América Latina-Caribe-União Européia (Cimeira), menos que traga algum benefício ao agronegócio.
-Em toda a UE o apoio à produção primária tem uma sustentação política forte como constatam unanimemente dezenas de executivos do setor que conhecem aquele mercado. Ou os próprios representantes de daquele bloco. Em geral, ficam indignados com o paradoxo entre o tratamento que produtores brasileiros - espoliados por impostos e custo Brasil - recebem do governo, comparado à proteção ao produtor europeu.
-Ontem, alguém abriu o bico, como mostra matéria da Agência Estado. Os subsídios agrícolas europeus, que consomem US$ 42 bilhões, metade do orçamento da UE, não serão reduzidos, mesmo que pressões internas ou externas se intensifiquem durante as negociações com o Mercosul ou em qualquer outro fórum internacional. Nem mesmo a futura Rodada do Milênio, prevista para começar no próximo ano, vai demover os europeus de alterar seu programa de subsídios, estabelecido na Agenda 2000, em março, quando foi definido ainda o volume de recursos da Política Agrícola Comum.
-Um técnico da Comissão Européia, que participa da reunião de cúpula Rio, disse à Agência Estado que a tendência é reduzir os custos agrícolas dentro do orçamento europeu somente a partir do ano 2006, não por causa de pressões externas ou internas, mas porque os US$ 42 bilhões representam hoje 1/6 do PIB agrícola europeu, que é de US$ 240 bilhões. Esse índice é muito elevado.
-Os subsídios aos agricultores europeus e as barreiras protecionistas custam à União Européia cerca de US$ 600 bilhões por ano, ou 7% do PIB europeu, de acordo com um estudo do Instituto dos Economistas Internacionais, com sede em Washington citado recentemente pela revista The Economist, e ontem pela AE.
Bolsa
Ao anunciar o plano de safra 1999/2000, o presidente FHC reafirmou sua intenção de estimular a abertura da Bolsa (BM&F) aos investidores estrangeiros. É uma forma de captar recursos para o auto-financiamento da produção.
Bolsa 2
Portanto, a internacionalização do mercado brasileiro está saindo do papel. Há um prazo para que isto aconteça: 31 de julho. Agentes econômicos e governo entendem que o mercado futuro é um instrumento de proteção da safra.
Liquidez
É preciso dar liquidez ao sistema de negociação. A liquidez do mercado só ocorre com grande número de participantes. A permissão para que estrangeiros participem do mercado pode aumentar a liquidez do sistema.
Seguro
Para Manoel Félix, presidente da BM&F, a internacionalização é positiva porque permite melhor formação de preços. Além disso, quando a produção está hedgeada nos mercados futuros, os financiamentos têm taxas menores.
Abudi
Segundo o presidente da Bolsa Mercadorias e Futuros de Londrina, Nagib Abudi Filho, a vantagem da presença de investidores estrangeiros, para o produtor rural, está na formação de preços. A formação de preços será mais transparente, sem distorção, diz Abudi.





