Oswaldo Petrin
Novo perfil do consumo
-O presidente FHC, ao anunciar ontem o plano de safra 1999/2000, aproveitou para comemorar sinais de redução do desemprego. Segundo o IBGE, a taxa de maio caiu de 8,02% para 7%. FHC disse que o país está retomando a atividade econômica. É melhor ouvir o presidente comemorar resultados positivos - ainda que modestíssimos, como é o caso - do que justificar resultados adversos. Seria bom que o governo fizesse sua parte nesta recuperação da economia, conferindo mais efetividade nas medidas a ser tomadas em direção às reformas fiscal e administrativa. A redução do ICMS sobre a cesta básica, por exemplo, daria forte incremento ao consumo e, consequentemente, à produção.
-A propósito recebo aqui o resultado de pesquisa feita pelo Grupo Unidos, sobre comportamento do consumidor. Os dados, divulgados ontem pela Casa da Imprensa, apontam o desemprego como uma das principais causas da inadimplência. E a mudança de comportamento do consumidor e do sistema de crédito.
-O desemprego está impedindo os consumidores de acertar as contas em atraso, segundo a pesquisa, realizada em abril. O Grupo Unidos é a maior empresa de recuperação de crédito do País. Do total de inadimplentes entrevistados, 20% alegam que não pagaram suas dívidas porque estão desempregados. Esses consumidores que representam 16% do universo pesquisado, indicam, entre outros motivos, a realização de compras para terceiros (16,4%) e o atraso de pagamento dos salários.
-E mais 41% estavam há mais de 30 dias com dívidas pendentes, 33% com atraso entre 31 e 60 dias e 10% com as contas atrasadas por período de 60 a 90 dias. A pesquisa foi feita com 20 mil pessoas que vivem em 19 cidades de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal.
-Embora o estudo não trate desse detalhe, vale observar que as compras para terceiros, um percentual relativamente grande, revela um grande número de consumidores desempregados ou subempregados, sem registro em carteira, que utilizam crediários de familiares para fazer compras. São, portanto, resultado da recessão porque, mesmo trabalhando, vivem numa informalidade que não lhes garante acesso ao crédito.
-A pressão da instabilidade também está fazendo com que o consumidor parcele menos as suas compras, o que está forçando a se comprometer com prestações elevadas, de até R$ 100,00. Segundo a pesquisa, 38% dos entrevistados aderiram a um plano de pagamento de até quatro percelas, contra 35% em janeiro deste ano e 34% em novembro de 98.
-Outra informação: O varejo, os bancos e as financeiras estão sendo mais rigorosos na concessão ao crédito e fazem exigências que vão além das habituais. Além disso estão reduzindo os prazos, afirma Júlio Shinoraha, diretor do Grupo Unidos.
PDPL
Sábado dia das correspondências - postal, e-mails, telefone -, dos desabafos, das prosas. Antônio Borges Solon, de Londrina: Mais de 200 pequenas leiterias fechadas no Paraná em menos de um ano. Saudade do PDPL. Fica a sugestão ao governo.
Saudade
PDPL - para quem não sabe, é a sigla do antigo Programa de Desenvolvimento da Pecuária Leiteira, que existiu nos anos 70. Grandes avanços no melhoramento do plantel leiteiro foram financiado pelo PDPL. Juros baixos e carência. Mas este tempo não volta mais.
Câmbio
Altino S. Sanvesso, de Maringá: Cadê as vantagens da desvalorização do real no início do ano que, na época, o ministro Turra disse que seriam repassadas para os produtores? Será que faltou competência na comercialização?
Americanos
Francisco O. Meronho, presidente do Sindicato Rural de Sabaudia, ao retornar dos EUA, com a Faep: Os agricultores americanos utilizam tecnologia porque têm essa tecnologia disponível. A pesquisa lá tem recursos e é muito forte.
Adubação
Do mesmo Meronho: A adubação é líquida e parece mais eficaz. Os americanos tem uma preocupação com o ambiente, o que é bom. Lá eles comercializam muito em bolsa, onde também compram. Aqui não se pode comprar em bolsa. (Voltaremos ao assunto com Francisco Oliver Meronho).





