Oswaldo Petrin
-Dentro de 90 dias os 200 deputados da Frente Parlamentar de Cooperativismo (Frencoop) poderão contar com o fundo de defesa do setor. A decisão de criar o fundo foi definida ontem pelos dirigentes de organizações de cooperativas de todos os estados brasileiros, que participaram em Belo Horizonte de um encontro de líderes do setor. A proposta foi votada e homologada durante a plenária que elegeu a nova diretoria da Organziação das Cooperativas Brasileiras (OCB).
-Inicialmente, o fundo poderá contar com R$ 200 mil anuais. Segundo o presidente da OCB, deputado Dejandir Dalpasquale (PMDB-SC), reeleito presidente da OCB, após a homologação, a nova diretoria da OCB definirá na próxima semana se será criado um instituto ou fundação que coordenará a captação de recursos e da organização do fundo. Uma coisa é certa, as cooperativas estão mais do que convencidas que precisam aumentar os recursos para defender às demandas políticas do setor.
-Em última análise, são os agricultores que vão sustentar o caixa de interesse das cooperativas. Os recursos que comporão o fundo virão das organizações estaduais e da própria OCB. Cada organização destinará ao fundo 5% do valor total que elas recolhem de taxas junto às suas cooperativas e a OCB também repassará 5% do valor que recolhe junto às organizações estaduais.
-Para o presidente da Frencoop, deputado Carlos Melles (PFL-MG), o fundo facilitará o trabalho dos deputados e das próprias cooperativas. Durante o encontro em Belo Horizonte, Melles se comprometeu a aprovar a lei de cooperativismo até o mês de novembro, quando acontece um seminário nacional do setor em Brasília.
-O projeto de lei já vem tramitando no Senado desde 1988. A lei tem como objetivo central normatizar o setor, regulamentando a fiscalização e auditoria junto às cooperativas. Melles defendeu que além da Frencoop o setor precisa fomentar o surgimetno de frentes de defesa do cooperativismo no Legislativo dos estados.
-A expectativa é de que o setor consiga eleger nas próximas eleições para deputados estaduais pelo menos dois deputados comprometidos com o setor. Precisamos organizar e encaminhar nossa demanda, justifcou Melles, que preferiu usar a palavra demanda em vez de lloby. Lloby soa mal, disse. (Entrevista ao repórter Renato Andrade, da Agência Estado).
-É uma estratégia inteligente, na opinião quase unânime dos dirigentes.Afinal todos os setores de atividades têm seu lloby, ou seu marketing. Veja como cresceu o lloby dos sem-terra, comentou ontem o dirigente de uma cooperativa do Paraná. Se consultados, os agricultores certamente aprovariam a idéia, segundo ele.
Mercado externo
A tendência ontem foi de baixa no mercado externo. Em Chicago, houve queda de 2,89% nas cotações da soja, enquanto o milho caiu 1,4%. Já o café teve recuo de 1,02% nos preços em Nova York. Durante a semana a alta foi geral.
Intermediário
A vida dos intermediários está ficando cada vez mais difícil. O
desabafo é de um corretor de milho. Os negócios são poucos e as empresas se utilizam cada vez menos desses profissionais.
Intermediário 2
A forte concorrência após o Plano Real provocou redução na margem de
lucro, o que levou as empresas a dispensar os intermediários e a fazer os negócios diretamente com os produtores.
Intermediário 3
A compra direta das matérias-primas pelas indústrias chega a dar redução de 2% a 5% no valor das mercadorias. Com isso, as indústrias ganham maior competitividade para seus produtos.
Arroz
Os produtores de arroz estão conseguindo segurar os preços, mesmo com
metade da colheita já concluída. A previsão era de a saca estar em R$
10,50, mas alguns negócios chegam a R$ 12 no Sul. (Vaivem das commodities).





