O ‘‘treze’’ que não dá sorte
-Primeiro foi o ministro Turra, na terça-feira; depois, o ministro Pedro Parente, do Orçamento e Gestão, na quarta, e, hoje, será a vez de o presidente FHC anunciar recursos para financiar a safra 1999/2000. Os números, R$ 13 bilhões a R$ 13,5 bilhões, não são confiáveis. Ninguém deve apostar nesse valor para aumentar a produção, seja de insumos ou de grãos. Os números anunciados em safras anteriores jamais chegaram a ser totalmente aplicados. A presente promessa tem uma razão a mais para acentuar o ceticismo do setor: é que até dias atrás o governo não havia conseguido fontes de recursos para completar sequer o equivalente às previsões do ano passado. E, finalmente, vale perguntar sobre a distribuição desses recursos, um ponto ainda obscuro para os próprios agentes repassadores do crédito.
-Do pronunciamento de FHC, hoje, espera-se mais; espera-se que ele anuncie um plano de safra, efetivamente. E não fique apenas nos números hipotéticos ou desejáveis.
-Até porque, há muita expectativa em torno do anúncio do presidente. Ele pode ser uma tentativa para reverter um panorama pessimista. As indústrias de fertilizantes e defensivos estarão com o pé no freio este ano em matéria de financiamento aos produtores. Elas estão prevendo aumento da inadimplência no setor por considerar baixa a renda agrícola. E, aqui entre nós, é preciso reconhecer que essas indústrias têm desempenhado um papel relevante no financiamento da produção, através dos insumos. Muitas alegam dificuldade em receber. Não se conhece o volume da dívida dos agricultores aos fornecedores de insumos que financiaram a compra. Mas há uma dívida gigantesca do setor com o governo, resultado de uma securitização cheia de remendos e renegociações malconduzidas de pelo menos três anos. Esta dívida chega a R$ 23 bilhões e está sendo motivo de nova mobilização.
-Do pronunciamento de FHC, hoje, espera-se coisas concretas. Que o seguro privado venha sem os mesmos vícios do Funrural e que o governo tenha uma participação efetiva, já que não há seguro no mundo - sendo totalmente privado - que consiga cobrir uma atividade sujeita a fatores de risco tão imponderáveis, como o clima, por exemplo.
-Mas é bom ser otimista. Pelo menos até o momento da fala presidencial, hoje à noite. Alguém deve ter dito a FHC que ele pode reverter o baixíssimo astral do seu governo, começando pela agricultura, o setor que - a exemplo da construção civil - dá respostas rápidas na geração de empregos e oxigenação da economia. E alguém, mais chegado, deve ter dito ao presidente que é hora de aliviar o sacrifício imposto ao setor primário para garantir a estabilidade econômica.
-Se injetar crédito na agricultura, o governo recupera o setor e ainda reaquece as atividades da indústria. Se continuar enganando, aumenta a miséria no campo e desestimula vários ramos da indústria.



Milho/leilão
Os leilões de contratos de opção para milho, arroz e algodão continuarão sendo realizados e o edital para a próxima venda será divulgado hoje, segundo o diretor de Abastecimento do Ministério da Agricultura, Vilmondes Olegário.
Crédito
Ontem foram negociados novos recursos para o programa de leilões dos contratos de opção já que o dinheiro aprovado inicialmente teria se esgotado. Montante será definido na próxima semana ‘‘ad-referendum’’ do CMN.
Lastro
Para cada um dos leilões de contratos são necessários R$ 45 milhões do Tesouro, que garantem a compra dos produtos caso haja o exercício das opções pelos produtores. O Ministério da Agricultura está pedindo R$ 150 milhões.
Sadia
Sadia quer exportar US$ 450 milhões, 15% mais que em 1998. Previsão foi divulgada ontem pelo presidente da empresa, Luiz F. Furlan. É a maior receita da empresa, apesar do preço do frango, abaixo dos R$ 1,32/kg praticados cinco anos atrás.
Frango
Os produtos do frango darão ao País uma receita de US$ 900 milhões. Nos primeiros cinco meses do ano, as vendas externas evoluiram 20%. Não houve influência do episódio dioxina, na Bélgica.

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