Oswaldo Petrin
Inflation Targeting
A nova política de controle de inflação, a ser implantada a partir de julho, trabalha com sistemas de metas inflacionárias, como já vimos nesta coluna (quarta-feira, 16), e vai mexer direta ou indiretamente com cada atividade econômica, na medida em que o governo pretenda flutuar as taxas de juros conforme a tendência dos índices da inflação. E também porque planeja tratar das questões pontuais da inflação, ao mesmo tempo em que decide adotar índice cheio, enquanto especialistas acham que, nessas condições, por coerência, teria de adotar o índice já expurgado. Desta maneira, segundo entendidos, são criadas precondições para uma indexação mais ampla, embora o esforço seja exatamente o contrário. Esta questão ficou clara quando, no início do mês, o governo optou pelo Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA).
Na essência, como já foi dito, o governo continuará utilizando os instrumentos de política monetária para controlar o crédito de tal forma que a demanda não ressuscite a espiral inflacionária. Trocando em miúdos, reprime-se a demanda e a produção a título de se manter os preços estáveis. Essa calibragem das variáveis produção e política monetária funciona como uma camisa-de-força na economia.
Uma reportagem na revista IstoÉ Dinheiro, deste domingo, expressa este raciocínio de forma mais ou menos igual. Se os preços subirem mais do que as metas fixadas pelo governo (para este ano seriam 7%), o Banco Central se compromete a elevar os juros para inibir o consumo e derrubar a inflação. Esse alvo fixado, no entanto, não é totalmente rígido. Há uma banda de um ponto percentual para cima e dois pontos percentuais para baixo. Logo, a inflação pode variar entre 5% e 8% sem disparar os alarmes. A explicação é de técnicos do Banco Central, que estão elaborando o novo modelo.
O Brasil, que tem uma política econômica e uma gestão de política monetária reféns de um brutal déficit público, adota um modelo de controle inflacionário de países como Nova Zelândia, Canadá e Reino Unido, que não têm problema de déficit público. A não ser que o Banco Central, precursor do modelo Inflation Targeting, tenha claro que o governo vá equacionar o déficit público, mas aí é o caso de medir a pressão e a temperatura febril dos seus técnicos. Afinal, reduzir déficit público com o ministro Pedro Malan, é muita pretensão. O governo FHC é fraco neste sentido.
Aliás, isto que foi colocado aqui dias atrás foi levantado na mesma edição da revista por alguns economistas entre eles Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central. Ele teme que o atual presidente do BC, Armínio Fraga, e sua equipe não consigam honrar o compromisso que estão assumindo. Temos um problema fiscal estrutural que pode desmoralizar a meta, diz ele. Não estou nada otimista.
Abrigo
A verdade é que o governo está em busca de credibilidade para sua combalida política econômica, perigosamente vulnerável a iminentes ataques especulativos e crise de justificável desconfiança interna.
Juro protetor
Do professor Luiz Gonzaga Beluzzo: O modelo Inflation Targeting é aplicável no Brasil. Com ou sem constrangimentos fiscais, sempre se usaram os juros no Brasil para fazer políticas econômicas.
Poder
Como o novo modelo confere poderes ainda mais amplos ao presidente do BC na condução da política econômica, assessores parecem se inspirar no Federal Reserve, dos EUA, cujo presidente, Alan Greenspan, comanda absoluto a política monetária.
Livro
O livro que é fonte de inspiração para o novo modelo de inflação é o Inflation Targeting, Lessons from the International Experience, recém-chegado às escolas de economia. Dizem que Fraga deu um de presente para Pedro Malan.
Livro 2
O livro tem 382 páginas e foi lido e interpretado por pelo menos dois burocratas da equipe do BC, os técnicos Sérgio Serlang, diretor de assuntos internacionais, e Daniel Werlang, autores dos textos do novo modelo para o Brasil.





