Oswaldo Petrin
-Só porque o governo descartou a hipótese de frear o consumo, a inflação voltou a dar sinais de alta. Os dados são da cidade de São Paulo, mas podem ser extrapolados para outras regiões, graças a representatividade dos índices de maior peso específico, caso da alimentação (preços do arroz, feijão e carne não variam tanto) e produtos de demanda inelástica, porém de consumo permanente como açúcar e sal, por exemplo. Em economia estável, a variação entre uma cidade e outra é pequena para a maior parte da composição da cesta, exceção de produtos sazonais e da região. Mas estes têm peso desprezível na composição da planilha.
-Mas, por que a inflação está em alta? O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), subiu 0,34% na primeira quadrissemana do mês _ período de 30 dias terminado em 7 de abril em comparação com os 30 anteriores. A alta no mesmo período terminado em março havia sido 0,21%. Preços de roupas em queda acelerada estavam contribuindo para frear a inflação. Como os preços do vestuário estão caindo menos, o efeito sobre o custo de vida é bem menor, segundo explica o coordenador da pesquisa, Heron do Carmo. As maiores altas registradas pelas pesquisas ainda são dos preços dos alimentos, que ficaram em média 1,19% mais caros. O custo da comida, no entanto, já está subindo menos do que no mês passado. A alta em março havia sido 1,59%.
-Os índices revelam sinais ainda tímidos de mudanças. E não devem transparecer tanto na média geral. Esta é a leitura do governo que descarta a adoção de um freio na economia como um todo, mas poderá ainda adotar contenção sobre setores específicos. O setor de bens de consumo duráveis que registra hoje um forte aquecimento na demanda por alguns produtos, é alvo de restrições. No mais, não se justificam medidas de contenção genéricas, como as adotadas em 1995, mas eventualmente poderemos adotar ações localizadas.
-Todos os itens que compõem o grupo alimentação estão subindo menos, mas estão subindo. O impacto do aumento do preço do café foi menor sobre os preços dos industrializados, que subiram em média 1,05%, pouco menos que em março. Os preços que mais subiram foram os de produtos da cesta básica. O tomate chegou a ficar 65,42% mais caro. A cebola passou a custar 48,08% mais e a batata, 17,58% mais. A tendência agora é de queda, prevê o economista.
-Segundo ele, haverá uma desaceleração dos reajustes, especialmente entre os in natura, que já subiram muito. Essa desaceleração vai compensar o provável aumento dos preços das roupas provocado pela entrada da coleção de inverno, avalia Carmo. Apesar das liquidações de verão estarem praticamente
encerradas, o custo da roupa ainda apresentou uma queda de 1,47%. Mas a tendência vai se inverter nas próximas semanas, e a previsão de Carmo é que as roupas este mês fiquem pelo menos 3% mais caras.
Boi gordo





