Oswaldo Petrin
CPMF sobre o carro
Foi um recuo espetacular. Na quarta-feira a Anfavea - que representa as montadoras - anunciou aumento de 1% nos preços dos veículos de todas as marcas em consequência da cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), transferida inapelavelmente para o consumidor. Diante da repercussão negativa, algumas empresas, com exceção da Fiat, trataram de esclarecer, logo pela manhã, que não vão transferir a taxa da CPMF para o cliente, apesar do anúncio da Anfavea. E, finalmente, ontem à tarde, veio nova informação: nenhuma das quatro maiores montadoras - Volkswagen, Ford, Fiat e General Motors -, vai repassar o aumento da CPMF aos preços dos carros.
A primeira impressão é de que as montadoras se reuniram e chegaram à conclusão que deveriam poupar o consumidor de mais este ônus, afinal, todos vão pagar a taxa sem que possam transferi-los para o parceiro comercial, que também paga. Seria, portanto, uma decisão de bom senso.
Mas não é bem assim. A decisão foi tomada em conjunto, depois que o secretário de política econômica do Ministério do Desenvolvimento, Hélio Mattar, telefonou ontem ao presidente da Anfavea, José Carlos Pinheiro Neto, ameaçando romper o acordo automotivo emergencial. Este acordo estabelece basicamente a redução do IPI para determinados modelos de carros.
A verdade é que as declarações do presidente da Anfavea devem ter irritado o governo, a julgar pelo noticiário das agências de notícias e informações das assessorias de imprensa. O ministro do Desenvolvimento, Celso Lafer - segundo a Agência Estado - foi o primeiro a dizer que a redução do IPI dos carros - acertada no acordo emergencial - seria cancelada se houvesse aumento de preços porque o entendimento prevê congelamento de preços e estabilidade no emprego em troca de incentivos fiscais. O ministério divulgou uma nota oficial e, em seguida, Mattar telefonou para o presidente da Anfavea.
O acordo automotivo emergencial prevê preços congelados até setembro e estabilidade no emprego até outubro para 540 mil empregados de toda a cadeia automotiva. Em troca o governo manterá o IPI dos carros populares reduzido de 10% para 7% e dos médios de 25% a 35% para 20%.
Álcool A Localiza Rent a Car vai adotar carros movidos a álcool para todas as suas frotas até o final do ano, caso sejam confirmados os descontos que governo e montadoras planejam conceder a esse tipo de veículo. A afirmação foi feita ontem pelo vice-presidente da Localiza Franchising, Aristides Newton. A utilização de carros a álcool nas frotas da locadora está restrita hoje aos clientes que fazem tal exigência. As usinas, por exemplo, não admitem que seus funcionários andem com carros a gasolina. O desconto previsto deve sair até outubro e beneficia frotas particulares e públicas e será concedido sobre o valor do IPVA e licenciamento.
Concordatas
Boa notícia: os pedidos de concordata e falência entre pequenas e médias empresas, estão em baixa. Em abril e maio, os registros foram menores (5,4%) do que no ano passado e cerca de 3% abaixo da média de janeiro a março deste ano.
Inadimplência
No entanto, a inadimplência voltou a crescer na primeira quinzena de junho, mesmo com a queda dos juros, a retomada das vendas a prazo. Os dado da Associação Comercial de São Paulo, extrapolados para todo o País.
Crescimento
Outro indicador do comportamento da economia, ainda não concluído. A indústria de alimentos antecipa seu bom desempenho previsto para o segundo semestre. Em maior apresentou crescimento de 1,8% sobre o mesmo mês de 98.
Lácteos
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) pediu urgência do governo nas investigações de dumping nas importações de leite dos países do Mercosul e a adoção de sobretaxas para proteger o produtor nacional.
Dumping
A prática de dumping ficou evidente com os números das importações de leite de janeiro a maio deste ano. As compras atingiram 133,7 mil toneladas - queda de 9,7% em relação ao mesmo período de 1998.





