Oswaldo Petrin
Custeio comprometido
-O governo tenta novas fontes de recursos para financiar a safra de verão, 1999/2000. Os cerca de R$ 12 bilhões necessários para bancar o custeios ainda não estão garantidos a oito dias do anúncio do presidente FHC sobre o plano. Anunciar o que, se a expectativa dos agricultores gira em torno do crédito?
-Se o governo não conseguir a totalidade do dinheiro previsto, é possível que venha a ocorrer o mesmo problema do ano passado em que se trabalhou com meta de R$ 12 bilhões, mas na prática o dinheiro aplicado na produção não passou de R$ 7 bilhões.
-Além de não ter todo o recurso previsto, o Ministério da Fazenda ainda não sabe se pode contar com recursos do Tesouro para bancar o diferencial (equalização) entre o custo do dinheiro captado no mercado e a taxa de juros cobrada da agricultura. Este subsídio é para que as taxas para produção não passe de 8,75% (negocia-se um percentual menor) ao ano.
-Uma solução para atingir os R$ 12 bilhões seria recorrer aos depósitos à vista dos bancos. Pela lei, 25/30% do montante devem ser destinados a financiamentos agrícolas (exigibilidade bancária), mas os bancos resistem porque a agricultura é um investimento de risco e o prazo também é maior. Os bancos resistem e o Banco Central não tem cacife ou interesse em fazer cumprir a legislação.
-No seu pronunciamento do dia 25, além de um novo seguro agrícola, FHC deve apontar os instrumentos de comercialização que o governo vem estimulando, praticamente os mesmos do ano passado. Um deles será o aval do Banco do Brasil à Cédula de Produto Rural (CPR), o contrato de entrega física da safra que permite ao produtor fazer a venda antecipada. Com isso, o banco estará conferindo liquidez ao setor desde o momento em que o negócio for fechado.
-Uma coisa tem que ficar clara nestas operações de venda antecipada seja de milho ou soja: o preço final da mercadoria fica invariavelmente abaixo do preço fechado na pronta entrega da comercialização. Portanto, mesmo com o Banco do Brasil lastreando as operações, o produtor vai pagar o preço de ter conseguido antecipar o dinheiro. A vantagem é que ele consegue alavancar recursos para financiar o plantio e outras operações sem ter que recorrer aos bancos o que, mesmo com taxas menores, este ano, não deixa de ser desgastante.
-O ponto positivo, o único, do plano de safra deste ano, é que as regras são conhecidas bem cedo (o calendário da safra de verão começa mesmo em setembro, mês em que ocorre o plantio na maior parte da área do Centro-Sul, para ser colhida em março/abril), dando tempo para o agricultor se planejar melhor.
Quanto aos recursos são modestíssimos. E ainda ontem, um dirigente de cooperativa do Paraná lembrava que os R$ 12 bilhões - ainda não conseguido - são um pouco mais da metade dos valores destinados 10 a 12 anos atrás.
Pendências
-Os agricultores têm outra dúvida, além do pouco apoio oficial, este ano: segundo o diretor de uma cooperativa do Paraná, até agora muita gente não resolveu pendências com fornecedores de herbicidas. Contratos em dólar.
Câmbio
-É que as indústrias financiaram os produtores mas, com a valorização do dólar, (ajuste cambial, em janeiro) nem todos puderam renegociar com o dólar a R$ 1,45. Essas pendências dificultam novas compras para próxima safra.
Reserva Legal
-Nesta sexta-feira, dia 18, às 19h30, no Sindicato Rural de Londrina (av. Tiradentes, 6.355), o deputado federal Moacir Micheleto vai expor os seguintes assuntos: mudanças na lei trabalhista, reserva legal e reforma agrária.
Novidade
-O deputado é autor de emendas que alteram a legislação. A diretoria do Sindicato está informando que ele vai apresentar outras novidades sobre o que muda na lei trabalhista. Tel. 338-8010, 338-7825.
Biotecnologia
-Alimentos transgênicos - a realidade brasileira e a mundial é o tema do seminário internacional que a Embrapa-Soja realiza nos dias 13 e 14 de julho em Londrina. Informações (011) 258-5310 ou pelo fax toll free 0800-114664.





