-Os economistas do governo costumam alertar para o risco da economia informal. Segundo eles, a informalidade é inimiga do desenvolvimento tecnológico porque pende para o empirismo do fundo de quintal. Não há investimento em tecnologia na economia informal, incluindo aí o equipamento da produção. Com uma boa parte da economia embasada na informalidade, o todo da economia também fica sem estímulo para avançar tecnologicamente, eis que o nível de competitividade não exige.
-Este é o raciocínio dos técnicos. A tese não deixa de ter fundamento. Mas não é isto que ocorre, pelo menos neste momento, com a economia brasileira, a julgar pelos pesos específicos das importações. A balança comercial - e consequentemente seu déficit - pende mais para o item máquinas e equipamentos.
-Este é o mais firme indicador de que a indústria nacional está investindo em equipamento. Compra de equipamento - no caso bens de capital, que é o equipamento para indústrias de máquinas - não quer dizer, necessariamente avanço tecnológico. A máquina ‘‘importa’’ a tecnologia embutida. Mas também não se pode dizer que não há investimento em máquinas.
-As máquinas e equipamentos para as indústrias _ os chamados bens de capital _ voltaram a puxar as importações, o que, para o governo, mostra que o País continua se equipando para competir no mercado internacional. O Secretário de Política Econômica, José Roberto Mendonça de Barros, reconheceu esta semana - em entrevista ao repórter Sérgio Léo, da ‘‘Agência Estado’’ - que muitas dessas importações se destinam à produção para o mercado interno, e, por isso, não vão aumentar as exportações, gerando os dólares necessários para pagar as contas externas do País. Mas a produção a preços competitivos é fundamental para reduzir a necessidade de importar bens de consumo, argumentou.
-‘‘Deixar de importar um dólar porque ficamos competitivos é tão bom quando exportar produtos competitivos’’, disse o secretário. Barros e o Secretário de Comércio Exterior, Maurício Cortes, comentaram o estudo divulgado pela Associação de Exportadores Brasileiros (AEB), que mostra o fraco desempenho do Brasil nos setores mais dinâmicos do comércio mundial. Em muitos desses setores, como o de têxteis e celulose, o governo já vem estimulando as empresas a reestruturar suas linhas de produção, comentou Cortes.
-Barros reconhece que a pauta de exportações brasileira
ainda depende dos produtos ‘‘mais simples’’. ‘‘Mas mudar essa situação leva tempo, e só podemos fazer isso à medida em que houver investimentos’’, comentou. ‘‘O Brasil já trabalha com os setores mais dinâmicos da exportação, o que falta é escala. O tempo que o Brasil precisa para se dirigir a esses mercados de maior dinamismo é menor do que se pensa’’, disse Cortes.



Boi gordo

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