Cultura monetária
-Quem assistiu ‘‘Roda Viva’’ (TV Cultura, segunda-feira) deve ter se convencido de que o Banco Central é, de fato, uma instituição definitivamente distante da expectativa e das coisas simples da população. Distante da população e da maioria dos agentes econômicos que movem as atividades do País, o que é pior. Harmínio Fraga, presidente do BC, deu uma entrevista fria, em que pecou ora por ser excessivamente objetivo, ora excessivamente longo, porém sem se preocupar com a didática que o tema finanças sempre requer.
-Contudo, mil vezes ele, Fraga, apesar da digressão, do que o seu antecessor - não aquele do escândalo - mas Gustavo Franco, cujas idéias, em geral submersas num academicismo invariavelmente difuso, têm abundante espaço na grande imprensa.
Mas Fraga foi claro em alguns pontos vitais, como, por exemplo, a posição do governo com relação à macroeconomia: não abre mão do instrumento de política monetária como sua arma predileta (e única) para controlar a inflação, reprimindo a demanda. Deixa claro, por exemplo, que o controle da inflação é uma fixação deste governo, qualquer que seja o custo social ou econômico.
-Inflação controlada justifica tudo. Neste caso, as altas taxas de juro na ponta do consumo são algo que não preocupa o governo. Fraga deixa entrever que até concorda que os bancos cobrem taxas elevadas embutindo aí todo o risco de uma economia - que ele considera - inadimplente. Sem se importar que o País vive um problema de liquidez.
-O gestor da política financeira do governo torce o nariz quando questionado se a origem da inflação não está na falta de oferta (de bens de consumo ou duráveis). Fraga parece minimizar uma questão levantada diariamente que é a baixa produção. A inércia virou virtude.
-Aliás, a estratégia de conter inflação pelo consumo - pelo estômago das pessoas - também está expressa no projeto de ‘‘metas inflacionárias’’ - inflation targeting - que deve vigorar a partir do segundo semestre. E, ao contrário do que sugere o projeto (ou apelo) ‘‘metas inflacionárias’’, a âncora cambial não sucumbiu com a mudança do regime cambial decretado com o ajuste, em janeiro último. Por conta disso, isto é para viabilizar o novo sistema, o governo, dias atrás, adotou o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurado pelo IBGE. Azar todo dele: o novo índice já nasce contaminado porque o governo optou pelo chamado índice cheio, quando - segundo entendidos -, deveria optar pelo índice expurgado.
-Mas toda essa discussão parece estéril, uma vez que o governo ‘‘tem a força’’ que, como já disse, é o uso de mecanismos monetários para conter a inflação. A força é acionar juros sempre que houver indícios de que a inflação superou índices fixados dentro do imaginário do governo.

E as tarifas?
Cabe perguntar: e quando a espiral inflacionária é atiçada pelos reajustes das tarifas públicas, como agora? A esta pergunta, Fraga só responde que a inflação não voltará. Deus sabe por quê.
Ortodoxo
O fato é que existe um apego do Banco Central à cultura monetária e, na visão dos gestores da economia, só existe uma forma de controle da inflação: através das taxas de juros, que proíbem produzir, consumir, empreender, empregar.
Inercial
Controlar a inflação é o que basta, e Fraga deixou entrever isto na entrevista de segunda-feira. Não importa se os juros inibem investimentos, crescimento econômico, distribuição de renda, etc.
Agrônomos
Dia 24, quinta-feira, às 19h30, na Associação dos Engenheiros Agrônomos de Londrina, debate sobre transgênicos. Título: ‘‘Regulamentação da Biossegurança no Brasil’’, com a presença de representantes da CTNbio.
Construção
Departamento de Engenharia Civil da USP promove, dias 23 e 24, seminário sobre desperdício nos canteiros de obras. Técnicos de 17 universidades em 12 estados mediram a perda efetiva, em reais. Informações (011) 818-5234.

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