CPMF, nova mordida
- O setor de agronegócios é um dos mais saqueados com volta da cobrança da famigerada Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF), que volta na quinta-feira com nova alíquota (0,38%). Com poucas chances para fugir das muitas operações, o setor é o que mais paga o tributo através das várias operações dentro de uma única cadeia produtiva. Na ponta da produção, a compra de insumos, o pagamento da mão-de-obra; depois, na comercialização, dá-lhe CPMF. Fugir de cobrança, só através da prática do escambo.
- O governo, que quer abocanhar R$ 17 bilhões em 12 meses, através da CPMF, agradece. Mas quem pode se defender, bem que tenta. Aliás, a CPMF mexeu até com a cotação do dólar ontem: a busca de proteção da cobrança de CPMF fez com que o dólar comercial fosse cotado a R$ 1,791, na venda (+0,45%). No mês, a alta acumulada é de 4,13%. Na média cotada pelo Banco Central diariamente, o dólar fechou a R$ 1,7783 (+0,3%). É que ontem foi o penúltimo dia de operações de câmbio sem a incidência da CPMF e para fugir da CPMF, houve antecipação de operações em dólar.
- Uma única cooperativa do Paraná - o diretor comercial pediu sigilo - deve recolher, limpinho, cerca de R$ 50 milhões, evidentemente se confirmadas as projeções de saída de insumos e entrada de grãos contando de 18 (dia seguinte da entrada em vigor da CPMF) até 31 de dezembro.
- Em compensação, a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre uso do cheque especial, operações de crédito e investimentos, como aplicação em fundos, será reduzida em 0,38%. O IOF havia sido aumentado em janeiro passado justamente para repor a ausência das receitas da CPMF.
- Mas o adicional do IOF, porém, não conseguiu suprir toda a diferença. Ele rendeu cerca de R$ 900 milhões, enquanto a arrecadação da CPMF, se tivesse sido cobrada nesse período, teria chegado a R$ 5,8 bilhões. A diferença ocorre porque o IOF não podia ser cobrado sobre saques em conta corrente, como é o caso da CPMF. Vale dizer, portanto, que haverá um aumento de carga tributária dos correntistas.
- A alíquota será de 0,38% do dia 17 de junho de 1999 até o dia 16 de junho de 2000. Do dia 17 de junho de 2000 até o dia 16 de junho de 2002, a alíquota será de 0,3%. O peso da CPMF não recairá sobre trabalhadores que ganham até três salários mínimos. O valor que ele pagará de CPMF ao movimentar seu salário no banco será compensado com um desconto na sua contribuição ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).
- As transferências entre contas bancárias do mesmo titular não recolherão a CPMF e aposentado também não paga. Há outras 30 hipóteses em que a CPMF não incide, todas idênticas às do ano passado. Leia mais nas páginas de Economia deste caderno.

Boi
A BM&F apontou R$ 38,00 para a arroba do boi em outubro, contrato futuro. Mas o especialista Alcides Torres, da Scot Consultoria, de São Paulo, aponta outro valor para a entressafra: R$ 33,00/34,00, à vista. Veja mais nesta página.
Indicador
Ontem, o preço à vista do boi gordo ficou em R$ 29,72/arroba (+0,10%). Em dólar, US$ 16,67 (- 1,19%). A prazo, o preço ficou em R$ 30,30 (+0,03%). Os dados são da Esalq/USP e foram divulgados pela BM&F.
Preços
Depois de sucessivas quedas, os preços agrícolas se recuperam e registram alta neste mês. O Índice de Preços Recebidos Pelos Agricultores IPR, calculado
pelo Instituto de Economia Agrícola teve alta de 3,26% até dia 11 de junho.
Alimentos
Mesmo assim, os alimentos continuam derrubando as taxas de inflação nas últimas semanas. Já parte dos produtos industrializados ainda mantém alta, devido à desvalorização de janeiro, conforme dados divulgados pela Fipe.
Oferta
Nos últimos 30 dias, os alimentos tiveram queda de 2,13%, maior que a de maio (-1,96%). Os ‘‘in natura’’ lideraram a baixa com 5,57%. Produtos semi-elaborados caíram 2,17% na cotação da Fipe. Essa queda se deve à boa oferta de arroz e de feijão.

mockup