-Com a estabilidade econômica, as margens de ganho de cada etapa da cadeia comercial ficam bem definidas e transparentes. As remarcações de preços não confundem o consumidor que memoriza os valores, percebendo facilmente as alterações. Certo ou errado? Certo, segundo especialistas em varejo. -Isto pressupõe que a concorrência de preços será ganha pelos estabelecimentos que apresentarem mais poder de barganha ou podem estreitar ao mínimo a margem de lucro de maior universo de itens possível. Os pequenos, que não têm mais como estreitar sua margem, ficam ameaçados. Certo ou errado? Errado, segundo Valdir Orsetti, responsável pelo 26º Relatório Anual da Revista Supermercado Moderno.
-O relatório é uma espécie de censo do varejo de auto-serviço, que acompanha anualmente o desempenho das lojas em todo o País, em 1996, por meio de questionários enviados às empresas. O documento, pouco divulgado pela grande imprensa, mostra mudança de perfil do varejo e sugere que os pequenos estabelecimentos têm seu espaço garantido.
-Ao apontar a performance do pequeno varejo, fica como sugestão, a tese de que, em resumo, a estabilidade econômica não é cruel para os pequenos. Uma questão de hábito (ou novo hábito) da dona-de-casa que acaba comprando no empório da esquina, no próprio bairro, pois a diferença de preço em relação aos super-hipermercados não compensará seu deslocamento. Todos são uma espécie de loja de conveniência. Exceção, naturalmene, das grandes compras do mês.
-O varejo de auto-serviço encerrou 1996 batendo recordes de vendas e de rentabilidade, prova o relatório, cujo objetivo é mostrar o desempenho do varejo. No ano passado, os 12.716 estabelecimentos do setor, que abrangem supermercados, hipermercados, lojas de conveniência, clube de compras, entre outros, venderam R$ 51,1 bilhões. Esse faturamento é 25% maior em relação so obtido em 1995, já descontada a inflação do período. O lucro líquido médio dessas empresas, que responderam em 1996 por 82% das vendas do setor, foi de 4,45% sobre a receita.
-‘‘O índice de lucratividade surpreende e resulta do desempenho dos pequenos estabelecimentos comerciais’’, diz Valdir Orsetti, à repórter Márcia de Chiara, da ‘‘Agência Estado. A pesquisa considera como hipermercados lojas com área média de vendas de 8 mil metros quadrados e como supermercados, estabelecimentos com cerca de 5 mil metros quadrados. No caso das lojas de conveniência e aquelas com variedade limitada de produtos, as áreas de vendas giram em torno de 170 e 250 metros quadrados. Com a estabilização da moeda, explica Orsetti, o consumidor passou a fazer as compras de alimentos e artigos de higiene e limpeza nas lojas próximas de casa. Por conta disso, as lojas maiores entraram na guerra de prazos e preços para conquistar o cliente. e tiveram sua rentabilidade reduzida apesar de apresentarem 95% do faturamento do setor.


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