Oswaldo Petrin
Álcool na mira do Cade
-As destilarias de álcool batalharam muito para tentar tirar o setor da crise. Agora que conseguiram alguma alavancagem, vem o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e faz uma ameaça séria. Quer examinar detalhes do acordo dos usineiros para a retirada do álcool do mercado e o possível impacto da decisão nos preços do produto. Os consumidores, agradecem.
-Mas, por que investigar as mudanças? Até o ponto que se sabe, com base no que foi divulgado, a justificativa para a operação (das usinas) encaminhada pelos empresários, é um replanejamento do setor de forma a dar maior racionalidade à produção. Na linguagem clara, foi para enxugar o mercado.
-O Cade tem outra interpretação que é a seguinte: Os produtores de álcool, em reunião há cerca de 20 dias na Bolsa Brasileira de Álcool (BBA), quase dobraram os preços do produto. A decisão pode encarecer a gasolina, que recebe uma parcela de álcool anidro, a partir do momento em que as distribuidoras passarem a comprar o álcool com os novos preços. Esta é a interpretação do Cade.
-Ontem um empresário do setor aqui no Paraná sugeriu: Aí tem o dedo da Petrobrás. De fato parecem precipitadas as afirmações do senhor Gesner Oliveira, diretor do Cade. Todos os detalhes sobre os preços do álcool serão analisados. E o Cade pode neutralizar os dados..., diz ele. Como se observa, mesmo antes da conclusão, o Cade parece insinuar algo irregular. Não devia. Como autoridade do Cade, sinceramente, não devia arriscar palpites. Apura, primeiro, depois pune e anuncia.
-Oliveira, em entrevista que deu à Agência Estado, não quis dar detalhes do acordo, porque a operação ainda está sendo apreciada pelo conselho (?). Ele salientou que o Cade pode adotar todas as providências necessárias para neutralizar efeitos negativos para o mercado.
- Frango/Canadá O Brasil vai firmar um acordo bilateral com o Canadá, na semana que vem, na área de frangos, que deverá resultar numa corrente de comércio favorável ao País em US$ 50 milhões por ano, anuncia a Associação dos Exportadores (Abef) Pelo acordo o Brasil deverá exportar peito de frango para o Canadá e, em contrapartida, importar coxas de frango daquele País. Vantagem do acordo: o valor agregado do peito é três vezes o das coxas de frango.
-O volume a ser negociado anualmente é de 20 mil toneladas de cada um dos itens. Canadenses querem uma fonte alternativa para frango processado na produção de nuggets, hambúrgueres. Na semana que vem, Cláudio Martins, diretor da Abef, participará da missão chefiada pelo ministro da Agricultura, Francisco Turra, que visitará o Canadá de 14 a 20, com vários outros empresários.
Leitor/câmbio
Sábado é dia de registro das opiniões dos leitores: carta, e-mail, telefone. Roberto A. Tedeschi, de Cornélio Procópio: Que o bom preço previsto para a soja em outubro não seja subtraído como fizeram com as vantagens do câmbio.
Leitor/safra
Cada vez que os políticos fazem previsão de safra fico pensando na jogada das multinacionais para mostrar que a oferta será grande. Elas nem precisam sair falando de superprodução, o governo se encarrega de alardear, Otávio Benê de Souza, Ivaiporã.
Leitor/manobra
Anúncios que me preocupam: ministros, falando de uma superprodução e as promessas de crédito de custeio, quando o agricultor vai comprar semente. O primeiro (supersafra) é para a gente vender barato, o segundo (crédito à vontade) é para ajudar a alta do adubo.
Soja/Paraná
O indicador de Preços da Soja, em lotes, ficou ontem em R$ 16,84/saca (+ 0,48%). Em dólar US$ 9,44/saca (-0,84%). O Indicador é calculado pela Esalq com base nos preços no disponível em cinco praças do Paraná. Nos quadros, o leitor tem os preços pagos ontem ao produtor.
Café
Semana termina com mercado calmo. Já assimilou o impacto do frio, sem geada, segundo Pedro Aleixo, do Sindicato dos Corretores do Paraná. Bebida dura, ontem entre R$ 160,00 e R$ 165,00. Sem descrição, R$ 140/143. Nova York fechou com +25 (105,80 centavos/libra-peso).





