Oswaldo Petrin
O efeito dioxina
-Em primeiro lugar, uma notícia positiva: o Banco Central anunciou no final da tarde de ontem redução na taxa Selic, que a partir de hoje passa a ser de 22% ao ano, 1,5 ponto percentual a menos que os 23,5% praticados até ontem. Saber que três meses atrás a taxa oficial encostou nos 50%, realmente a queda é espetacular, ainda que continuemos com as taxas mais altas do mundo.
-Falta informação na notícia sobre suspensão das importações da Bélgica. A medida, ainda que atrasada - como entendem setores da avicultura brasileira -, tem um efeito político, quando segue a postura da UE, e uma preocupação educativa, na medida em que expõe para segmentos internos das indústrias de ração e da avicultura, a gravidade do problema.
-Afora isto, seria bom que o consumidor não se impressionasse tanto. A Bélgica exporta produtos de origem animal utilizados na produção de derivados como massas, biscoitos, chocolates. A medida seria dispensável, malgrado seu carater preventivo. São basicamente produtos industrializados como derivados lácteos, carnes, ovo em pó e chocolates, informou.
-O secretário de Defesa Sanitária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, informou que a suspensão será mantida até que as autoridades belgas garantam a inexistência da dioxina nos produtos. Óbvio.
-Não soube precisar, no entanto, quais os produtos de origem animal que o Brasil importa da Bélgica nem quanto eles representam, mas afirmou que o País não compra frangos belgas, como se observa pelo texto da Agência Estado.
-Vale explicar mais uma vez: a contaminação por dioxina na Bélgica surgiu na ração para aves e resultou na proibição das exportações e na retirada de produtos derivados dos supermercados. Aves e porcos estão sendo sacrificados.
-Para o secretário-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Cláudio Martins, a decisão brasileira de suspender a importação de produtos belgas chega tarde. O Brasil já deveria ter proibido as importações, a exemplo do que fizeram a Rússia, Hong Kong e China.
-Para ele, a contaminação por dioxina é um fato muito grave pois é um produto cancerígeno que pode matar seres humanos. Mesmo que o Brasil não importasse nada da Bélgica, teria de proibir preventivamente a entrada de produtos como leite e chocolates. O secretário disse que a medida brasileira é preventiva e o comunicado solicita informações técnicas à União Européia e aos países do bloco sobre quais as providências adotadas por eles sobre os produtos contaminados. Todos os países europeus já fecharam suas portas aos produtos belgas, disse.
Faiad
O secretário nacional de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Ibrahim Faiad, considerou satisfatório o aporte de R$ 12 bi para custeio da safra de verão. Como cooperativista teria considerado irrisório.
Faiad/teste
Primeiro teste de Faiad no (alto) cargo de confiança do governo. Reduzir juros dos atuais 8.75% para 6% e, no caso do Pronaf, de 5,75 para 3%. O pleito é dos seus colegas cooperativistas. Até meses atrás Faiad também defendia taxas menores.
Milho/atacado
Indicador de milho, no atacado, ontem, calculado pela FGV/BM&F: R$ 9,14/saca (+0,22%). Em dólar, US$ 5,52/saca (+5,34%). O valor a prazo ficou estável em R$ 9,40/saca. Veja também preço pago ao produtor paranaense.
Boi gordo
Situação do mercado em SP, que reflete nas demais regiões, com alguma diferença: frigoríficos continuam com curtas escalas de abate. A maioria programada para dois dias. A cautela se deve às incertezas do mercado consumidor e das condições climáticas.
Boi gordo 2
A arroba se mantém em R$ 30 no Estado de São Paulo. Alguns negócios são realizados a R$ 30,50, conforme a FNP. Nesse patamar, os preços atuais superam em 1,67% os de há um mês.





