Alta desnecessária
-O iminente aumento no preço do álcool - resultado da pressão dos usineiros paulistas - é de interesse duvidoso, se analisadas as condições de mercado para a própria agroindústria. O álcool já chegou a valer 80% do preço da gasolina, nos bons tempos do combustível vegetal alternativo, nos anos 80. Caiu para menos de 60% e agora pode ter nova alta. Difícil é saber se isto trará algum benefício para o setor agroindustrial. É que ontem, em meio a protestos, passeatas, distribuição gratuita do combustível e muitas informações desencontradas dentro do governo (sobre a criação de novos mecanismos de estímulo ao setor), surgiu a informação sobre aumento de preços. Seria consequência da criação da Bolsa Brasileira de Álcool (BBA).
-Tudo isto está rolando lá no Estado de São Paulo. As manifestações ocorreram em Brasília. Mas, em termos de álcool, o que acontece lá, onde se concentra a maioria das indústrias, rebate nas demais regiões sucroalcooleira. Este aumento na ponta deverá provocar uma elevação entre 70% e 75% no preço do litro cobrado do consumidor, segundo estimativa do Sincopetro. Segundo o presidente local do Sincopetro, Valter Basso, o aumento deverá chegar às bombas de combustíveis já a partir de uma ou duas semanas no máximo. O aumento, lembra ele - em entrevista à repórter Kelly Lima, da AE -, também deverá elevar o preço médio da gasolina, já que existem 24% de álcool adicionados à gasolina.
-O consumidor só deve chegar por volta do mês de julho ou agosto. Existe uma demanda reprimida, por conta dos elevados estoques de álcool que ainda estão nos tanques dos postos. Com o aumento, a maior parte das revendas deverá segurar ao máximo o momento de novas compras.
-O preço do álcool combustível deverá chegar a R$ 0,60 o litro. Pesquisa mensal divulgada pelo Corecon sobre os preços dos combustíveis nos postos locais indica que o álcool vem sendo vendido em média por R$ 0,33 à vista e R$ 0,53 a prazo. Os preços, segundo o Corecon, tiveram uma queda em relação aos valores cobrados no mês anterior de 6,5%.
-Segundo o empresário Maurílio Biagi Filho, da Companhia Energética Santa Elisa, de Sertãozinho e presidente da Associação Pró-Frota Verde (Aproverde), apenas 0,1% do total de carros produzidos é movido a álcool. O Brasil tem potencial para ter dez vezes este volume. Ele observa que só a Aproverde, que comercializa os carros a álcool com 15% de desconto no preço original de fábrica e concede um bônus de 500 litros de álcool para quem adquire o veículo, possui uma fila de espera de 3.500 pessoas. As montadoras estão se recusando a fazer motores movidos a álcool. Os resultados obtidos pelo setor no encontro foram as promessas de que em curto prazo seria aumentado o teor de álcool adicionado à gasolina, dos atuais 24% para 26% e ainda que o governo iria estudar a adoção de 3% de álcool ao diesel.
Margem
-Há setores cujo aumento de custo não é repassado ao consumidor porque o mercado não absorve. Exemplos? Muitos: alimentício, por exemplo. O resultado é operar com margens menores, e a saída é enxugar bem a máquina, etc.
Construção
-Mas há setores que se dão bem, mesmo em época de recessão como agora. Exemplo? Construção civil, por exemplo. O Custo Unitário Básico (CUB) da construção civil aumentou 1,51% em maio, comparado com o mês de abril.
Gordura
-Este ano já acumula alta de 3,9%. Os dados são de São Paulo, mas podem ser extrapolados para todo o País. Nos últimos 12 meses, o aumento chega a 4,58%.
O CUB, é oficial, calculado pelo SindusCon.
Mão-de-obra
-De acordo com o SindusCon-SP, a alta foi provocada pelo reajuste salarial dos trabalhadores da construção do município de São Paulo, com data-base em 1º de maio. O reajuste trouxe um aumento de 3,13% no custo da mão-de-obra.
Desperdício
-Na construção civil o consumidor paga pelo desperdício. Pouco competitivo, o setor ainda não foi passado a limpo, isto é não enfrentou nenhum regime recessivo que lhe exigisse racionalidade e redução de custos. Tem muita gordura.

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