Oligopólio da soja
-A venda de indústrias de pequeno porte para grandes grupos tem sido cogitada, há anos, dentro de uma tendência global de concentração do setor. Agora isto parece iminente. Quando da implantação da lei kandir, mais de três anos atrás, não faltou quem fizesse prognóstico sobre as implicações da desoneração do ICMS sobre as indústrias de moagem de soja. A previsão, àquela época, era que a facilidade para exportação da soja em grãos exerceria forte influência sobre as atividades comerciais das indústrias regionais e que só as grandes multinacionais teriam capacidade de competir. O argumento, aparentemente sem lógica, chegou a ser admitido por setores industriais. Uma fonte da Abiove apontou a este jornal outras variáveis que estariam concorrendo para a concentração da indústria da soja, incluindo aí o transporte e a própria necessidade de escala, natural quando as margens de ganho se ajustam.
-A tendência à concentração ficou mais clara na comercialização da safra 97/98, com preços mais estáveis; ficou claro também que o fator escala, determinante na margem de lucros, seria o fator de exclusão no mercado. O processo em andamento foi facilitado pelo ajuste cambial, refletindo na safra seguinte, em plena comercialização, no primeiro trimestre do ano.
-O mercado que já é abocanhado por um pequeno número de indústrias já ganha configuração de oligopólio.
-Se a globalização, por sí só, sem solavancos, já prenunciava um processo de concentração, imagine com tantos impactos que a economia do setor teve de absorver, como as crises das bolsas asiáticas, por exemplo. Especulações sempre existem sobre fusão ou compra pura e simples de indústrias nacionais.
-Agora quem admite publicamente é o presidente da empresa líder do setor, a Ceval/Bunge, Vilmar de Oliveira Schurmann. As pequenas indústrias não têm capacidade para esmagar em grande escala, não têm interesse ou estrutura para diversificar as linhas de produção e não têm cacife para captação de recurso externos, ao contrário das multinacionais. Schurmann faz esta análise em reportagem de primeira página no jornal paulista ‘‘Gazeta Mercantil’’ de ontem (autor Mauro Hossepian). Na matéria, a Caramuru, de Apucarana, é colocada como a empresa que está encabeçando a lista das vendáveis. O próprio presidente da Caramuru, César Borges, não nega a informação: ‘‘Somos muito assediados’’.
-Neste momento, a causa do processo de concentração, segundo traders e fontes das indústrias, é a forte oscilação das margens. Outro fator seriam naturais dificuldade competitiva e eventuais problemas de liquidez do setor como um todo. Hoje o mercado de soja é liderado pela Ceval, do grupo Bunge e conta com apenas mais três grandes compradores: Cargill, Coinbra e ADM.
-Embora o preço da soja tenha como sinalizador o mercado internacional, os demais agentes da cadeia produtiva soja talvez se sintam mais à vontade se o mercado tiver muitas opções. Melhor seria a presença no mercado de maior número de indústrias, mesmo pequenas. Mas não é esta a tendência.

Bolsas
O mercado externo de commodities esteve parado ontem, devido aos feriados nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha. Com isso, os preços praticados no mercado interno tiveram pouca alteração ontem. Pelo menos para o café e a soja.
Aftosa
Relatório da Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE), referente à
reunião de há dez dias, diz que a febre aftosa deve ser erradicada na
América Latina. No Brasil, só RS e SC são considerados áreas livres.
Aftosa 2
Uruguai e Chile são considerados áreas livres da febre, enquanto Argentina e Paraguai (assim como RS e SC) estão na lista dos países livres, mas que necessitam da vacinação contra a doença.
Álcool
O ministro da Indústria e Comércio, Celso Lafer, afirmou ontem que os leilões de álcool anidro serão suspensos caso fique comprovado que as empresas estão manipulando preços na venda ao governo. ‘Não vamos manter leilão que possa ser visto como subsídio.’’
Álcool 2
O preço de R$ 0,23 é ‘praticável’, disse. No último leilão o governo comprou 96,8 milhões de litros do produto ao valor médio de R$ 0,25. Maior parte foi vendida por empresas de São Paulo, 77 milhões de litros,

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