Oswaldo Petrin
-Em economia estável, com margens de lucro bem definidas - e, invariavelmente estreitas - só a produção de escala se viabiliza comercialmente. No entanto, a economia de escala quase sempre pressupõe concentração da produção, resultante de processo seletivo em que sobrevivem as estruturas maiores ou mais eficazes. A avicultura de corte está entrando neste processo de concentração que, como toda concentração de renda, não distribui benefícios.
-A acirrada concorrência de mercado do frango, comprimindo os preços da carne na granja, no abatedouro e no varejo, acabou por concentrar a atividade, em favor dos grandes frigoríficos. Os resultados estão logo abaixo. Por situação semelhante vão passar também os lácteos, as massas alimentícias e as bebidas como cerveja. Os refrigerantes estão mais pulverizados.
-Acaba de sair um levantamento feito pela Associação dos Abatedouros de São Paulo, com números que revelam um novo perfil do segmento. Segundo a estatística, os abatedouros avícolas aumentaram em 8,4 pontos percentuais sua participação no abate de aves no País. Conforme dados da Associação Nacional dos Abatedouros Avícolas (Anab), no ano passado as 20 maiores empresas do setor - num universo de 150 empresas com inspeção federal - abateram 1,514 bilhão de cabeças, que corresponderam a 58,7% das 2,578 bilhões de cabeças abatidas no País. No ano anterior, o abate das 20 maiores (1,297 bilhão de cabeças) correspondeu a 50,4% das 2,539 bilhões de aves abatidas.
-Na opinião do superintendente da Anab, José Carlos Sandoli - em entrevista ao repórter Venilson Ferreira, da Agência Estado -, a concentração é reflexo da crise que atingiu o setor no ano passado, em função dos altos custos de produção, decorrente do aumento dos preços do milho e da soja, principais componentes da ração. No ano passado, o abate de aves no País cresceu apenas 1,5%, evolução considerada pequena para um setor que nos últimos anos vinha crescendo a uma taxa de 5% ao ano.
-Segundo Sandoli, no ano passado, houve desativação de abatedouros e incorporações. O levantamento da Anab demonstra que a Perdigão - com unidades em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e São Paulo - foi a empresa que teve o maior crescimento no abate de aves no ano passado, em termos absolutos, aumentando em 37,094 milhões de cabeças (25,4%), passando das 146,019 milhões de cabeças abatidas em 1995 para 183,113 milhões no ano passado.
-A Cooperativa Agropecuária Cascavel (Coopavel) apresentou o maior crescimento relativo, ampliando em 87,9% o abate, de 11,904 milhões em 95 para 22,369 milhões de cabeças no ano passado. A Coopavel era a 28ª colocada no ranking nacional do setor em 95 e no ano passado foi guindada para o 16º lugar. Em primeiro lugar se manteve a Sadia, que ampliou sua participação no abate nacional, passando de 12,7% em 95 para 13,4% em 96.
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