Oswaldo Petrin
Seguro privado
-Não dá para saber se desta vez os agricultores devem levar a sério ou (novamente) não, mas o ministro Francisco Turra, quer estimular a criação do seguro agrícola privado e as operações de mercado futuro na próxima safra. Afinal muito vem se falando sobre estes dois assuntos, mas as ações não evoluem e nada acontece de concreto.
-Há um dado importante, porém: O ministro disse que recebeu o apoio do presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, com quem se reuniu ontem, para a operacionalização dessas medidas. É mais fácil apostar neste tipo de apoio. Pelo menos não se trata de mais um discurso de FHC no seu programa de rádio.
-Ironia à parte, mercado futuro é modernização e, como disse o ministro (talvez pela enésima vez) estamos muito atrasados com este mecanismo adotado em todo o mundo. Isto, convenhamos, não depende só do governo.
-O ministro lembrou (Agência Estado, ontem) que enquanto na Argentina as operações no mercado futuro já correspondem a 40% dos recursos que financiam a safra agrícola, e nos Estados Unidos a 100%, no Brasil este percentual não chega a 5%.
-O problema principal é que o investidor externo não pode operar no mercado futuro no Brasil e para alterar esta proibição já existe uma proposta de internacionalização da Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F) sendo analisada no BC há quase dois anos.
-Sobre este problema, Armínio Fraga garantiu que os problemas estão sendo superados e que a medida será aprovada. Esta é a saída para desonerar o crédito rural oficial. Segundo Turra, as únicas operações de mercado futuro hoje no País são feitas através da venda de soja verde e das Cédulas de Produto Rural (CPR) do Banco do Brasil para café e soja. Em relação à proposta de seguro agrícola privado, Turra disse que o presidente do BC mostrou-se absolutamente favorável.
-O Ministério da Agricultura pretende incorporar R$ 50 milhões do Fundo de Estabilidade Rural que era gerido pelo Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) para formar um fundo para proteger os produtores e garantir as operações de seguradoras internacionais. O objetivo do Ministério é deixar o Proagro (seguro oficial) apenas para os pequenos produtores e Turra propôs a Armínio Fraga que a gestão deste programa também fique com a Agricultura, no que foi prontamente atendido.
-Sobre os bancos cooperativos atuarem no crédito rural: Turra disse que em grande número de municípios não existe banco e a participação de cooperativas facilitaria a democratização do crédito. O presidente do BC achou ótima a idéia. Como se vê, eles estão longe do agronegócio.
Safra/receita
Saiu ontem o relatório do Deral sobre a colheita de verão, com aumento da produção (+5%) e da receita (+15%). Paraná colhe 17 milhões de toneladas de grãos, que deve gerar uma receita de R$ 3,79 bilhões.
Poloni
O secretário da Agricultura, Antônio Poloni atribuiu o bom desempenho à boa tecnologia, profissionalização do produtor e clima favorável, principalmente no caso da soja.
Recorde
A colheita da soja foi encerrada e atingiu 7,7 milhões de toneladas, configurando o quinto ano consecutivo de recorde de produção. O índice de produtividade também foi recorde, com uma média de 2,8 mil kg/ha.
Milho
A produção de milho também será maior: 5,7 milhões de t, 6,5% sobre a safra anterior; 91% da safra já foi colhida, projetando uma produtividade média de 3,8 kg/ha, maior do que a do ano passado (3,7 mil kg/ha).
Queda
O relatório do Deral mostra dados sobre as principais culturas: algodão, feijão, arroz. O feijão da primeira safra apresentou quebra de 22%. O algodão, que perde terreno no Paraná, teve aumento de produtividade de 39%.





