Oswaldo Petrin
-O Brasil, que acaba de fazer concessão ao Mercosul excluindo aqueles parceiros das restrições aos produtos importados, terá de administrar outro complicador na difusa relação com o Mercado Comum do Cone Sul. Trata-se da normatização das patentes genéticas. Ontem, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado aprovou o projeto de regulamentação da Lei das Cultivares. Colocar a legislação em prática exige a criação de normas próprias tão peculiares quanto a legislação sanitária vegetal e animal que ainda carece de um tratamento uniforme.
-O desgaste maior nesta relação, porém, é mesmo de ordem comercial. O governo resolveu poupar o Mercosul das restrições que impôs às importações para reduzir o déficit comercial. Não altera nada para o mercado dos produtos nacionais já acostumados com a presença de derivados lácteos, por exemplo, ou de alho e maçãs argentinos. A maioria desses itens é meritoriamente competitiva e já ocupou todo o espaço que tinha de ocupar. O produtor nacional convive, resignado, com esse tipo de concorrência.
-O que preocupa, no entanto, é a importação de itens mais importantes como o milho, por exemplo, que entra a preços baixos, às vezes entre 10% e 15% inferiores ao mínimo oficial e com prazos de pagamento excessivamente generosos. A questão do prazo, aliás, parecia equacionada na alçada do governo, que, no entanto admite não ter controle sobre mecanismos substitutivos equivalentes.
-Para que as medidas no âmbito da comercialização, cogitadas até agora fossem suficientes para contrapor as facilidades proporcionadas pelo mercado externo, seria necessário uma intervenção mais firme. Mas a volta à tutela governamental é rejeitada pelo setor privado e pelo próprio governo. Ninguém quer tal retrocesso. Até agora a arma ideal - liberação de crédito à comercialização - mostrou-se ineficaz. A outra (conter a importação de produtos financiados em até 360 dias) ainda não foi testada.
-No caso dos fertilizantes, as limitações podem elevar os preço de matérias-primas, segundo admitem indústrias misturadoras e o Ministério da Agricultura. Para evitar o aumento do custo da produção, o ministério está estudando a criação de uma linha de crédito direcionada à compra de fertilizantes. A idéia é financiar a compra à vista do produto importado. Assim, é possível comprar o produto mais cedo e evitar a especulação nos preços.
-Na prática, as medidas anuncidas pelo governo (dia 25 de março) para reduzir as importações representam uma compra à vista, porque, mesmo que possa pagar mais tarde, o importador tem que ter o valor da compra em dinheiro quando a mercadoria chegar ao Brasil.
BB/Rural
Convênio entre Sociedade Rural do Paraná e Banco do Brasil abre crédito de R$ 10 milhões para associados da Rural. Será assinado hoje, às 11 horas, no estande do BB, na exposição.
BB/Rural 2
Conforme contrato, serão descontados 2% do valor do empréstimo para assistência técnica e 12% de encargos diversos. O empréstimo vence dia 30 de novembro.
Ceval
A International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para o setor privado, vai financiar um projeto de US$ 500 milhões da Ceval, nos Estados do Sul, em cinco anos. O projeto será administrado pelo Unibanco, o agente do crédito da IFC.
Fábrica
A fábrica processará alimentos para o mercado doméstico e para as exportações, integrando produtores e indústria. A unidade envolverá cerca de mil produtores de suínos e aves do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Açúcar
A colheita cubana de março, o melhor mês da safra da cana-de-açúcar, terminou de maneira decepcionante. Prognósticos para a campanha atual são prudentes e só apostam numa produção discretamente superior à do ano passado (4,45 milhões de t).





