A carona dos transgênicos
-A polêmica dos transgênicos está aguçando o marketing de muitas marcas. A onda é aproveitar as discussões (e as desinformações) sobre o assunto e promover os produtos que não resultem de plantas geneticamente modificadas. Muitas marcas falam até em criar selo de qualidade para seus produtos ‘‘não-transgênicos’’, sugerindo a idéia de que tudo que está por aí, ao alcance do consumidor, é transgênico e, portanto, precisa ser estigmatizado. Na verdade os trangênicos ainda não ganharam as gôndolas de supermercados.
-Esta polarização só confunde ainda mais o consumidor. Da mesma forma que os transgênicos têm lá suas inconveniências, ainda não suficientemente elucidadas, os produtos convencionais podem ter levado doses de agrotóxicos acima dos limites de tolerância. Melhor, então, optar pelos orgânicos, acima de qualquer suspeita.
-Mas tudo isso, é muito salutar, apesar da imensa confusão que se vê diariamente na imprensa. Afinal, o episódio deixa o consumidor atento e ainda mais cioso dos seus direitos em outros campos: higiene, validade de alimentos e, inclusive, a procedência. No caso dos transgênicos, o mínimo que se espera é que conste em rótulo que resulta de produtos geneticamente modificados e o consumidor fica com a opção final.
-Só que tudo isso tem que ser feito de maneira muito honesta para não confundir ainda mais a grande maioria que é leiga no assunto. No entanto, o que ocorre é um certo oportunismo do comércio.
-A propósito da discussão, uma decisão firme foi divulgada pelas agências de notícias: o diretor-superintendente do Carrefour no Brasil, Jean Duboc, reiterou que a empresa não vai comercializar produtos transgênicos. Isso inclui também os frangos e suínos alimentados com esses produtos, que possam vir a ser comercializados no Brasil. ‘‘Os argumentos da saúde e da prudência estão do nosso lado’’, discursou.
-Duboc esteve presente no lançamento do Selo de Garantia de Origem do Carrefour, que ocorreu na sede da empresa, em São Paulo. Duboc afirmou que não existem garantias de que os produtos transgênicos sejam inofensivos. ‘‘Daqui a dez anos pode ser até que se descubra que não há riscos, mas o caso da doença da Vaca Louca nos recomenda cautela’’, disse, em entrevista ao repórter Renato Stancato, da AE.
-O Carrefour continua negociando com produtores e indústrias brasileiras a compra de farelo não-transgênico para posterior exportação para a Europa. Segundo o diretor da divisão agropecuária, Arnaldo Eysink, a empresa está, na verdade, fazendo a ponte entre seus fornecedores europeus que consomem farelo de soja, e os brasileiros. ‘‘Pretendemos apenas garantir a parte tecnológica, mas não estaremos envolvidos diretamente nos negócios’’, disse Eysink.

Faep On-line
Entra no ar sexta-feira, às 8h50m, pela Internet, o Programa Tecnologias on-line. A rede inédita de informações agrícolas será implantada pela FAEP, Sebrae, CNA e Senar Nacional.
Acesso livre
O lançamento será simultâneo com a inauguração de 150 salas do produtor em todo Paraná, onde o agricultor poderá acessar gratuitamente a home page da Faep.
Atualização
Através do site, o usuário terá novo canal de consulta com os órgãos de assistência técnica e pesquisa do País. O produtor também terá acesso em tempo real às previsões do tempo, às cotações de insumos e produtos agropecuários.
Novidade
O superintendente do Senar/PR, Ronei Volpi, acha que os novos serviços são uma ‘‘revolução’’ em termos de informação ao agribusiness. Este sistema é o único em uso no Brasil, não terá custos e será acessível a todos os produtores.
Lácteos/varejo
O técnico João Carlos Koehler, do Deral, corrige: Não é a indústria de lácteos que fica com a maior parte dos lucros da cadeia produtiva leite. É o varejo que abocanha uma margem muito alta em relação aos preços do atacado.

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