A volta do trigo suspeito
-A posse de Ibraim Faiad na Secretaria Nacional de Política Agrícola, hoje em Cascavel, com a presença do ministro Turra e do governador Lerner (ver matéria nesta página), ocorre no mesmo dia em que o Brasil recebe trigo (até) dos Estados Unidos, cujas compras estavam suspensas por questões sanitárias.
-Enquanto a área plantada com trigo no Paraná pode registrar uma retração de até 30% nesta safra, em relação aos 900 mil ha plantados em 1998, o Brasil volta a comprar trigo dos Estados Unidos. Além dos tradicionais fornecedores, Argentina e Canadá. Apesar das estatísticas sobre os níveis ‘‘regulares’’ dos estoques mundiais do cereal, existe a preocupação em ‘‘diversificar’’ as fontes, informou ontem um técnico da Conab.
-Faiad é cooperativista de mão cheia e de uma região onde o cooperativismo cresceu com a força da dobradinha trigo-soja. E o Estado lidera a produção do cereal. A posse - a domicílio, numa demonstração de prestígio -, também ocorre perante agricultores de vocação tritícola. Que morrem de vontade de plantar trigo. Mas tudo bem, quanto maior o paradoxo, maior a esperança dos produtores que vêem em Faiad - lavourista de pedigree - a oportunidade para que esta política agrícola se reverta.
-Hoje está chegando (deve atracar no Porto do Recife) um navio de bandeira norte-americana com 25 mil toneladas de trigo daquele país. Este é o primeiro carregamento de trigo dos Estados Unidos que chega ao Brasil desde 1996 e marca o retorno das importações brasileiras do grão norte-americano. A importação de trigo dos Estados Unidos foi proibida pelo governo brasileiro em 1996, por motivos fitossanitários (havia o temor de contágio das lavouras brasileiras por uma praga existente no produto norte-americano).
-No final do ano passado, o Ministério da Agricultura publicou uma portaria liberando a importação de um tipo de trigo dos Estados Unidos - o duro de inverno - depois que ficou afastado o risco de contágio. No momento, o Ministério da Agricultura analisa a possibilidade de liberar outros dois tipos de trigo dos Estados Unidos.
-Mas há um lado altamente positivo nesta importação de trigo dos EUA. É que a abertura do mercado brasileiro de trigo aos norte-americanos faz parte de uma negociação em mão dupla, que pretende abrir o mercado dos Estados Unidos para a entrada de carne fresca brasileira. Técnicos do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) devem vir ao Brasil nas próximas semanas para analisar instalações de frigoríficos que querem exportar carne para o mercado norte-americano. ‘‘Existe um interesse mútuo e as coisas estão caminhando paralelamente, afirmou o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos Oliveira, em entrevista ontem ao repórter Marcelo Teixeira, da Agência Folha. Quanto à redução da área no Paraná, a estimativa é da Apasem, com base nas vendas de sementes até semana passada. O recuo é por absoluta falta de incentivo.

Aftosa/briga
O presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para a Saúde Animal (Sidan), Nelson Antunes, afirmou ontem não ser possível reduzir o preço das vacinas contra febre aftosa.
Margem
‘‘Não tem margem para redução’’. Além disso, segundo ele, a indústria nada poderia fazer porque já repassou aos revendedores todos os 90 milhões de doses produzidas, a um preço variável entre R$ 0 51 a R$ 0,60 a unidade.
Ameaça
‘‘O consumidor deverá pagar entre 0,70 a 0,75’’, estima. Para ele, se o ministro da Justiça, Renan Calheiros, insistir em baixar o preço, o que pode acontecer é os laboratórios pararem de fabricar as vacinas.
Exportação
De olho na exportação, o presidente do fórum permanente de pecuária de corte da CNA, Antenor Nogueira, fez ontem apelo aos produtores para vacinarem os rebanhos até o fim do mês. (Mariângela Herédia e Sandra Sato, da AE).
Risco
A interrupção da vacina vai prejudicar os planos de pedir reconhecimento de mais uma área livre da aftosa (vários Estados incluindo Paraná) num total de 80 milhões de cabeças para a Organização Internacional de Epizootias, com sede na França.

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