Oswaldo Petrin
Gerente do novo milênio
-A ênfase obsessiva que se dá à competitividade, que veio no bojo de globalização, é bem conhecida e permeia a vida de todos. É preocupação que chega à escola e às famílias que preparam as crianças para serem competitivas, objetivamente e linearmente ganhadoras, quando deveriam preparar o cidadão para ser feliz.
-Em termos de administração empresarial, esta determinação com que empresas e seus executivos se lançam no mercado da sobrevivência, está retratada no livro recém-lançado, dos consultores Francisco Gomes de Matos e Idalberto Chiavenato Visão e Ação Estratégica, pela Makron Books. O livro mostra a importância dessas duas habilidades visão e ação estratégica, nesta época marcada por transformações radicais, quando a capacidade de antecipação frente aos concorrentes é de fundamental importância para o êxito empresarial. É recomendado por críticos e especialistas.
-No final, os autores - visualizando um novo milênio, uma nova empresa - apontam a lógica de uma tecnologia fria, calculista, equacionando tudo à base de custo e rentabilidade e configuram três quadros típicos: a) um processo de globalização mal direcionado, b) o paradoxo da velocidade das transformações e c) a contradição das organizações sem fronteira.
-O processo de globalização mal direcionado coloca claramente a questão do acúmulo de riqueza e o ímpeto por multiplicá-la. O dinheiro colocado nas mãos de poucos desvia-se do processo produtivo para a especulação tornando cada vez mais frequentes abalos sísmicos na economia através das bolsas.
-Fenômenos como competição predatória e racionalidade de custos, ingredientes para tornar a empresa enxuta a qualquer preço, dão origem - segundo os autores - ao processo de exclusão social. Neste quadro, resultante do sistema globalizado, mistifica-se a lógica do ganho. O desemprego explica-se por uma teoria de desvalorização humana, em que o trabalho não é visto como valor social, mas sim como custo.
-Já no segundo cenário - Paradoxo da velocidade das Transformações, afloram as situações contraditórias. De um lado, colocam os autores, somos contemporâneos do futuro, por conta da mídia, da interatividade com a ciência e a tecnologia, que põem em xeque os valores tradicionais. Do outro, somos escravos do presente - sem futuro, pois não somos estimulados mais a pensar, pelo excesso de informação que induz ao agir, sem refletir.
-Muita informação, pouca reflexão. Informação sem aplicação é lixo. O conhecimento acadêmico não aplicado torna-se obsoleto a curtíssimo prazo. Acrescente-se ainda: as bibliotecas das instituições de pesquisas estão abarrotadas de publicações empoeiradas que mal atendem a consultas e revisões bibliográficas. No novo milênio as empresas privadas ou públicas não podem se dar a esses desperdícios. Nem o Estado poderá bancá-lo.
3º cenário
Outro quadro da nova empresa. Acabou a grande empresa monolítica, piramidal, lenta nos movimentos e nas decisões, segundo os autores de Visão e Ação Estratégica. Agora a decisão tem que ser mais rápida.
Questão prática
Em função do tempo e concorrência, não há espaço para macroorganizações. Elas se transformam em conglomerados de pequenas empresas. Descentralizadas por unidades autônomas de negócios
Caso IBM
É aquilo que Thomaz Watson, fundador da IBM, citado no livro, dizia no início: Crescer sem perder de vista o espírito de pequena empresa. Idéia que foi negligenciada e contribuiu para a eclosão da crise.
Corações & mentes
Enfim, o livro, como define Idalberto Chiavenato, propõe que as pessoas tenham um novo papel nas empresas para que sejam bem-sucedidas. E o perfil dos executivos, entre tantas vertentes, inclui uma palavra-chave manovrabilidade. Ou jogo de cintura.
Gordura
Os autores não falam mas há outra variável instigando mudanças. A das margens de lucro. Produto da competição as margens são tão ajustadas daqui para frente que quem ganhar, vai ganhar na redução dos custos. Sem gordura.





