Café inicia nova era
- A imprensa paranaense e nacional, inclusive colunistas de renome como Joelmir Beting e Luiz Nassif, têm divulgado o Seminário Internacional de Biotecnologia Cafeeira (de 24 a 28 de maio, em Londrina) como o grande debate que vai clarear a polêmica questão dos transgênicos. A comissão organizadora do evento confirma isto, mas observa que o Seminário é mais abrangente e vai apresentar avanços em muitos campos, que interessam de perto a técnicos e produtores. Na verdade, as transformações que estão ocorrendo no café, hoje, envolvem os agentes de toda a cadeia produtiva do produto; vão de viveiristas a dirigentes industriais, passando por técnicos de laboratórios e gerência de marketing, porque essas mudanças repercutem no consumidor.
- Novas variedades, novas técnicas de controle de doenças, redução de custos, como obter qualidade e mercado para café orgânico. São alguns dos pontos do debate. O participante recebe as informações e tira suas dúvidas no decorrer das discussões ou simplesmente ouvindo os maiores especialistas em cada assunto.
- A biotecnologia é um divisor de água na história da ciência e tecnologia (C&T). As mudanças decorrentes dessa ciência são algo que não interessa apenas à comunidade técnica. Cada mudança - que ocorre muito mais rapidamente do que no modelo convencional - mexe diretamente com os interesses econômicos e profissionais das pessoas e empresas. Cada nova técnica tem a ver com qualidade e rentabilidade, enfim com a permanência ou não no mercado, seja para o formador de mudas, o agricultor, torrefador ou industrial mais sofisticado.
- Se os produtos geneticamente modificados suscitam dúvidas ao consumidor, o interesse pelo café orgânico ganha importância. E o café orgânico - incluindo aí toda sua técnica de produção e comercialização - faz parte do seminário. Palestrantes e debatedores prometem expor o assunto didaticamente.
- O seminário também vai apresentar técnicas de clonagem e outros conhecimentos que implicam em mudança da postura dos técnicos de campo. Conhecimentos novos - na verdade revolucionários - como mapeamento de genes e marcadores de DNA serão expostos de maneira a desmistificar muitos conceitos científicos.
- Dentro em breve, os biopesticidas vão mudar radicalmente métodos de controle de insetos e nematóides. E o que esperar das sementes sintéticas incorporando novos conhecimentos talvez mais simples. Cada item desses torna o evento ‘‘imperdível’’, se cada técnico, empresa, cooperativa ou órgão público levar em conta que o mundo globalizado impôs uma situação de extrema competitividade tecnológica e comercial.

Café orgânico
Ivan Franco Caixeta, presidente da Associação de Cafeicultura Orgânica do Brasil, disse ontem que o mercado está pagando entre 30% e 40% a mais pelo café orgânico, em relação ao preço do dia do café produzido através de métodos convencionais.
Café/Japão
No Brasil há apenas 21 produtores de café orgânico. A maioria consegue em torno de 30%. Mas um produtor que fornece para Japão consegue 50% de prêmio. Trata-se de clientela específica, que exige selo de origem.
Café/nicho
Nicho de mercado tende a aumentar, prevê Ivan. Ele dá o exemplo da Inglaterra e Alemanha que estão em campanha para que o consumo de alimentos orgânicos chegue a pelo menos 20% em três a cinco anos.
Demanda
O Brasil produz apenas 23 mil sacas de café orgânico (safra 98/99), menos de 1% da safra nacional. Na próxima colheita a produção de orgânica deve chegar a 30 mil sacas. Por enquanto a demanda é bem maior do que a oferta.
Varejo
Carrefour e Pão de Açúcar vão vender cafés orgânicos, informa Caixeta. Ele falará no Seminário de Biotecnologia, que começa segunda-feira. Palestra será dia 25 (terça) às 16h45. Vai dar as dicas para quem pretenda produzir orgânico.

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