Oswaldo Petrin
Excedente de álcool
-Na próxima semana a Agência Nacional de Petróleo (ANP) inicia levantamento junto às destilarias do País para mapear os estoques de álcool hidratado. A medida é o primeiro passo para futura intervenção do governo no mercado. Ontem foi divulgada a decisão do governo de realizar leilões para compra do excedente de álcool em poder das usinas. No início da semana cogitou-se a compra de pelo menos 200 milhões de litros, quase a metade dos estoques declarados no início do ano.
-E ontem, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Bolívar Moura Rocha, confirmou a notícia através da Agência Estado: serão comprados 100 milhões de litros de um total que deverá exceder os 400 milhões de litros nos próximos meses. O leilão será conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, pela ANP e Banco do Brasil e terá um preço máximo de abertura e um preço mínimo, mas esses valores não serão revelados antecipadamente.
-O governo adotará todas as medidas possíveis para minimizar os efeitos da crise que os produtores enfrentam, a maior de todos os tempos. Nesse sentido, não descartou, inclusive, a possibilidade de que as compras de álcool voltem a ser centralizadas temporariamente pelo governo nos próximos meses.
-A crise é muito grave e estamos dispostos a dar um passo atrás (com a centralização das compras), se isso for necessário. O preço do litro do álcool, que ficava em torno de R$ 0,41 até janeiro, quando o governo controlava, hoje está entre R$ 0,14 a R$ 0,17, um dos mais baixos já registrados.
-A partir de 1º de outubro, será implementada uma outra medida aprovada pelo Cima para aliviar a pressão sobre os produtores: a isenção de IPI para táxis só será concedida se o veículo for movido a álcool. A medida, aprovada na reunião do Conselho do dia 13 de abril passado, só entrará em vigor em outubro porque este é o período necessário para que os fabricantes de carros possam adaptar suas linhas de montagem. A isenção do IPI para os táxis movidos a álcool deveria vir acompanhada da isenção do ICMS, mas o governo do Rio de Janeiro rejeitou a proposta na última reunião do Conselho de Política Fazendária (Confaz). Esta decisão deverá ser revertida proximamente em um novo reexame do tema.
-Outra medida: a Brasilálcool II, empresa constituída por 87% dos produtores, está se estruturando para atuar na comercialização do álcool. Além de tentar ampliar as vendas internas, a empresa deverá exportar o produto para o Caribe para que, a partir de lá, o álcool seja reprocessado e exportado para os Estados Unidos, conforme a AE. Atualmente tarifas de importação proibitivas impedem que o produto brasileiro chegue diretamente ao mercado norteamericano.
Leitor/aftosa
Edgard V. Pires, técnico agropecuário e produtor em Maringá: Gostei do puxão de orelhas ao Conselho de Defesa Econômica (Cade), na coluna de quinta-feira. Vão deixar para fiscalizar após término da campanha. Cadê o Cade?
Leitor/Cade
André Luiz Tedeschi, de Cornélio Procópio, pergunta: Será que o Cade está adiando uma decisão ou as denúncias foram encaminhadas com atraso? Mais: não acha que a briga é inoportuna e só incentiva os indecisos a não vacinar?
Leitor/geada
Alceu A. Mello, proprietário em Campo Mourão e Ivaiporã: O inverno chegou mais cedo e a imprensa não está tratando o assunto com a notoriedade que requer. Não vi nenhum artigo sobre previsão. Vai ser mais rigoroso, este ano?
Leitor/câmbio
Benedito Rodrigues da Silva, de Londrina: Estão dizendo que a agricultura foi beneficiada com a valorização do dólar. Não consegui acertar nesta conta, mesmo quando os premiados são os que exportamos. Qual é a matemática?
Milho
O indicador de milho, no atacado paulista, calculado pela FGV/BM&F, ficou em R$ 9,10/saca (+0,11%). Em dólar, US$ 5,50/saca (-0,18%). Valor: R$ 9,50/saca (+1,06%). Veja, nos quadros abaixo, preço ao produtor no Paraná.





