Oswaldo Petrin
Juros da boa vontade
-Há sinais de boa vontade no ar, os juros: 1) As taxas praticadas no Brasil ainda são as mais altas do mundo, apesar da redução determinada para a taxa Selic, pelo Banco Central, 2) Ainda demora algumas semanas para a queda anunciada dias atrás pelo BC transpareça no mercado, no crédito direto ao consumidor, no crédito pessoal e outras modalidades. Mas não se pode negar que a boa vontade oficial está bem configurada.
-Na verdade, não se trata exatamente de sinal de boa vontade, mas um caminho natural que o Banco Central tem que seguir. Com o aperto fiscal prometido ao Fundo Monetário Nacional (FMI) e o crescimento menor que o previsto das exportações, o governo não tem muita escolha: será obrigado a basear a retomada da economia na redução dos juros, o instrumento que lhe sobrou.
-Quem avalia bem este quadro é o economista e ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore. Ontem ele previu, para o final do ano, algo em torno de 20% para a taxa Selic - estimativa que embute juros reais anuais entre 12% e 13%. Isso garante alguma recuperação, mas não a retomada consistente da economia, segundo Pastore em entrevista à Agência Estado. Por isso, ele aposta na retração de cerca de 2% do PIB para 1999 - queda considerável, avalia, apesar de menor do que os 4% esperados logo depois da desvalorização cambial, em janeiro. No PIB per capita a retração será ainda maior: cerca de 3,5%. Para o ano que vem, no entanto, ele prevê algum crescimento.
-Na mesma entrevista, Pastore ressalta que a redução da atividade econômica tem pesos diferentes conforme o setor da economia. Entre os segmentos mais prejudicados, ele cita os fabricantes de bens de capital, a indústria automotiva e a de eletroeletrônicos, que dependem de insumos importados e de maior volume de crédito para sustentar as vendas. No rumo oposto, a desvalorização trouxe boas notícias às áreas têxtil e de confecções, beneficiadas pela menor competitividade dos importados, explica.
-Na avaliação do economista, é inviável acelerar ainda mais o ritmo de redução dos juros como incentivo à retomada do crescimento. Afinal, argumenta, é preciso ter cautela para não pressionar o dólar e a inflação, estimada por ele em 10% para os índices de preços ao consumidor em 1999. Os juros têm de cair na velocidade permitida pelo câmbio.
-Mesmo com limites, a redução dos juros é o principal instrumento do governo para a retomada do crescimento. Com a meta de superávit primário de 3% do PIB, fica difícil recorrer aos cofres públicos para acelerar a economia. As exportações também não vão dar impulso tão grande quanto o previsto inicialmente por conta da queda dos preços das commodities e da retração da economia mundial.
Aftosa
Antes tarde do que nunca. Quase um mês depois que os pecuaristas reclamaram, a Secretaria da Agricultura de São Paulo pediu ontem ao Ministério da Justiça que apure a alta da vacina em mais de 100%.
Cadê o Cade?
E o Cade? O Conselho de Defesa Econômica recebeu a denúncia a mais de 40 dias e não se manifestou. Pelo andar da carruagem dá para adivinhar quando o Cade vai se pronunciar: após o prazo para realização da vacina.
Sindan 1
Nelson Antunes, do Sindan (sindicato da indústria), diz que os preços
realmente subiram em 1999 sobre os de novembro de 1998. Mas, com a alta, apenas voltaram aos patamares praticados em 1997.
Sindan 2
Ele deu esta resposta dias atrás a este jornal e repetiu ontem à imprensa paulista. O ano de 98 foi atípico. O Ministério da Agricultura previa a utilização de 250 milhões de doses, mas só foram usados 210 milhões. Com isso, as indústrias ficaram com grande estoque.
E daí?
Por ter curta validade, a vacina foi vendida com preços menores em 1998. Mas, segundo a Secretaria da Agricultura paulista, a vacina foi produzida há um ano e tem pouco efeito do dólar. Em 1997, o preço era R$ 0,25/dose. Em 98, R$ 0,28 e, em 99, R$ 0,70 ou mais.





